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Lema, conceito e direcção artística. Candidatura de Leiria a Capital Portuguesa da Cultura 2028 dá-se a conhecer
Tânia Alves assume a coordenação do projecto, com consultoria externa de António Pinto Ribeiro
Na base, as relações. O tecido criativo, artístico e associativo que nutre a região há décadas. E a resiliência manifestada após a depressão Kristin. No horizonte, a escuta. E a cultura como dimensão estruturante do desenvolvimento, capaz de contribuir para a inclusão, a sustentabilidade e a qualidade de vida.
“Cuidar dos outros, de nós, da natureza” é o lema da candidatura de Leiria a Capital Portuguesa da Cultura 2028, anunciado esta terça-feira, 27 de Outubro, pelo Município.
Em cima da mesa, “uma ideia de cuidado entendida como prática continuada de atenção e responsabilidade perante as pessoas, as comunidades e o território”. E a ponte entre cultura e educação.
No topo das prioridades, “aproximar a cidade das freguesias e dos territórios rurais”, levar o conhecimento a todos os lugares.
Tânia Alves assume a coordenação e direcção artística, com consultoria externa de António Pinto Ribeiro.
Licenciada em Dança, mestre em Gestão Cultural e detentora de um Executive MBA, Tânia Alves tem experiência em produção, programação, comunicação e gestão no sector da cultura. Desempenha actualmente as funções de assessora do conselho de administração do OPART, organismo que, como entidade pública empresarial, coordena o Teatro Nacional de São Carlos, a Companhia Nacional de Bailado e os Estúdios Victor Córdon. Quanto a António Pinto Ribeiro, é investigador, ensaísta e programador cultural em artes contemporâneas.
Ciclo de conversas
O projecto está a ser desenvolvido através de um processo de escuta que envolve agentes culturais, instituições e associações, em encontros, visitas e momentos de diálogo, que procuram reunir experiências, identificar necessidades e reconhecer o conhecimento de quem participa diariamente na vida cultural de Leiria.
Com o apoio da equipa de missão, prevalece uma dinâmica de reflexão e construção colectiva.
Existe a ambição de mobilizar todo o concelho e a vontade de recolher contributos que possam orientar as escolhas que depois serão apresentadas com o programa.
Leiria Capital 28 quer fomentar “um sistema cultural duradouro” para cimentar laços “entre criação artística, educação” e “comunidades”. As linhas orientadoras da candidatura “partem do percurso cultural do território para pensar” o respectivo “futuro”. Ambicionam juntar património e criação contemporânea, estruturas culturais consolidadas e novas práticas artísticas.
A proposta assenta “na diversidade de um ecossistema construído ao longo de décadas por artistas, associações, filarmónicas, escolas, equipamentos culturais e instituições”, pode ler-se na nota de divulgação. “Mais do que criar uma nova realidade cultural ou concentrar a sua ambição na programação de um único ano, pretende reconhecer e fortalecer as relações existentes, estimular novas formas de colaboração e criar condições para que a cultura desempenhe um papel estruturante e continuado na vida do concelho”.
Legado para vários anos
Um dos objectivos é mesmo ir além de 2028. Garantir novas formas de participação e colaboração e erguer os alicerces de um sistema mais próximo, cooperante e duradouro, assente nas relações, mais do que em equipamentos ou acontecimentos.
Um legado para os anos seguintes. Ambiciona-se “aproximar a cidade das freguesias e dos territórios rurais” e promover “condições para que o conhecimento, os recursos e as oportunidades circulem de forma mais ampla pelo território”.
A candidatura realça ainda que “a passagem da tempestade Kristin tornou particularmente visíveis as vulnerabilidades e interdependências que atravessam a vida colectiva, mas também a importância das redes de proximidade e da capacidade de resposta das comunidades”. Já em construção antes do temporal, o projecto encontra nesta experiência “uma razão acrescida para reflectir sobre o papel da cultura na forma como vivemos juntos”.
Leiria regressa assim a um conceito já em destaque durante a candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027, em que o mote foi “Curar o comum”. Évora viria a ser a cidade escolhida pelo júri.
Ao mesmo tempo, o tema da edição da Versátil – Feira do Livro de Leiria que começa no próximo sábado (31 de Outubro) é “O comum”.
Prémio de 1 milhão
“A candidatura de Leiria a Capital Portuguesa da Cultura 2028 é uma afirmação da importância que atribuímos à cultura no desenvolvimento do nosso concelho e da região. Queremos aproveitar esta oportunidade para valorizar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, reforçar a nossa capacidade de criar e acolher projectos culturais e projectar Leiria a nível nacional”, afirma Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, citado em comunicado.
“Cuidar começa por prestar atenção às pessoas, aos lugares e às relações que dão vida a um território. Queremos construir um projecto artístico que reconheça essa diversidade, valorize a escuta e crie novas formas de participação e colaboração. A nossa ambição é transformar o cuidado num compromisso colectivo, capaz de gerar novas possibilidades para o futuro de Leiria”, acrescenta Tânia Alves, coordenadora e directora artística de Leiria Capital 28.
A relação entre educação e cultura, visível, por exemplo, nas escolas e filarmónicas, é salientada por Anabela Graça, vice-presidente da Câmara de Leiria e vereadora da Educação e Cultura. “Esta candidatura nasce de um território culturalmente activo, com criadores, associações, instituições e projetcos que, ao longo dos anos, têm contribuído para construir uma identidade cultural própria. Queremos valorizar esse trabalho e construir, a partir dele, um projecto que coloque a cultura no centro da forma como pensamos o nosso futuro”.
A programação da candidatura de Leiria a Capital Portuguesa da Cultura 2028 será divulgada numa fase posterior, estando a entrega do dossiê prevista até 3 de Dezembro de 2026.
Óbidos também está na corrida, assim como Setúbal, Almada e Guarda, entre outros municípios.
A candidatura vencedora contará com uma dotação financeira de 1 milhão de euros, proveniente da administração central.