DEPRESSÃO KRISTIN
Leiria cancela Feira de Maio por "questões operacionais" e financeiras
Decisão anunciada ao final da manhã pelo presidente da câmara, que justificou a decisão com a necessidade de canalizar meios financeiros e humanos para a a "missão" de recuperar Leiria
A edição deste ano da Feira de Leiria não se vai realizar. O cancelamento do evento que, no ano passado, recebeu quase 700 mil pessoas, foi anunciado há momentos pelo presidente da câmara.
Em declarações aos jornalistas, proferidas no final da reunião diária da Comissão Municipal de Protecção Civil, Gonçalo Lopes, justificou a decisão com "questões operacionais". "As nossas equipas têm de estar direccionadas para esta missão [de recuperar Leiria da destruição deixada pela depressão Kristin] e, por isso, queremos estar focados nesse objectivo", afirmou, acrescentado: "além disso, queremos afectar a maior parte do nosso orçamento, nesta primeira fase, ao principal objectivo de Leiria e da Câmara Municipal”.
De acordo com Gonçalo Lopes, a decisão de cancelar a Feira de Maio já foi comunicada aos presidentes de juntas, que "aceitaram e compreenderam". Segundo o autarca, "muitas das acções" que as juntas tinham previstas para os próximos meses, "que implicavam a organização de determinado tipo de eventos", vão ser também canceladas para direccionar o esforço para "esta grande missão que é fazer reerguer Leiria”.
Quase 29 mil pessoas ainda sem energia no concelho
No ponto de situação apresentado aos jornalistas, Gonçalo Lopes adiantou que, neste momento, "estão ainda por energizar 28.839 pontos", o que representa 34% dos consumidores do concelho. Neste momento, segundo o autarca, os trabalhos encontram-se "muito focados nas freguesias mais rurais e mais afastadas, que têm muitos dos postos de baixa tensão caídos", e contam com "um reforço de empresas que se têm disponibilizado para ajudar" na área da eletricidade. A título de exemplo, referiu "uma empresa que vem de França, de uma pessoa que tem ligações de Leiria e que vem ajudar".
O abastecimento de água também ainda não se encontra totalmente restabelecida. "A rede está a ser preenchida, enchendo os depósitos, mas ainda temos algumas freguesias que não têm", assumiu o presidente da câmara, frisando que se trata de "uma operação extremamente demorada".
Entretanto, a câmara avançou com a compra de 30 casas modelares, que vão ser entregues nos próximos dias, numa encomenda decidida ontem. "Estamos a negociar o preço, mas poderá chegar a cerca de meio milhão de euros de investimento, que vai permitir que as pessoas possam sair dos pavilhões ou de casas de familiares", disse Gonçalo Lopes, adiantando que, em paralelo, estão a ser alocadas empresas que se disponibilizaram para tal à reposição de telhados, dando prioridade a casas de "idosos e pessoas mais pobres".
Gonçalo Lopes anunciou ainda que o Departamento Financeiro e Jurídico do Município está já a estudar a isenção de algumas taxas, como o caso das ocupações de via públicas e esplanadas, e de rendas das casas que foram destruídas.