Viver
Leirena. Um clássico de Aristófanes para declarar que a paz “não é utopia”
Estreia neste fim-de-semana
Escrito há quase 2.500 anos, o texto é uma comédia política que tem como pano de fundo o conflito entre Esparta e Atenas. Ganha agora outra roupagem, pelo Leirena, que propõe “uma revisitação contemporânea” da obra de Aristófanes, A Paz, “num momento em que”, aponta o colectivo de Leiria, “o tema da guerra permanece urgentemente actual”.
Com direcção de José Carlos Garcia, fundador da Companhia de Teatro do Chapitô, o espectáculo estreia-se no próximo fim-de-semana em Idanha-a-Nova.
A nova criação do Leirena surge em coprodução com o Teatro José Lúcio da Silva, o Centro Cultural Raiano, que acolhe a primeira apresentação no sábado, 9 de Maio, pelas 21:30 horas, e o festival de teatro clássico de Mérida, em Espanha, referência internacional para as artes performativas, com 71 edições já realizadas.
Ao elenco constituído por Bruno Alves, Catarina Carmo, Diana Cunha, Frédéric da Cruz P., Rui Raposo e Virgínia Achique, junta-se, na pele do protagonista, Trigeu, o actor leiriense João Moital, de 80 anos. O Leirena sublinha que “a sua presença em cena traz uma dimensão rara de experiência, generosidade e verdade, dando corpo a um personagem que ousa desafiar o impossível”. E, numa peça “que fala de coragem e de esperança”, a interpretação de João Moital “torna-se, ela própria, um gesto profundamente simbólico: o de quem, independentemente da idade, continua a acreditar na possibilidade de transformar o mundo”.
Aristófanes conta a história de um agricultor que sobe ao Olimpo montado num escaravelho gigante para resgatar a paz. Nesta adaptação, adianta o Leirena, em que os filhos apoiam o esforço de Trigeu, à medida que a cenografia se constrói ao vivo, e transforma o palco “num lugar instável, onde cada elemento pode ser abrigo, arma, limite ou possibilidade”, surge a perspectiva de que “a paz não é uma utopia”, mas, antes, “uma escolha”. E muitas vezes “nasce de um gesto aparentemente absurdo, mas profundamente necessário: o de quem ousa dizer basta”.