DEPRESSÃO KRISTIN

Juntas de freguesia de Pombal conseguiram geradores, mas E-Redes não os liga aos PT nem responde aos autarcas

6 fev 2026 12:13

Após a tempestade Wesley, em 2018, população teve electricidade em três dias com geradores

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Manifestação, hoje, às 20 horas, em Pombal denuncia falha prolongada no fornecimento de electricidade
Fotografia: Ricardo Graça
Jacinto Silva Duro

A paciência e a boa vontade da população das freguesias do concelho de Pombal está por um fio.

Há dez dias sem electricidade, sem comunicações e sem informação das autoridades, na sequência da passagem da tempestade Kristin, voltam a sua raiva para a situação "extremamente caótica" e sem resposta eficaz por parte da E-Redes.

Está marcada uma manifestação hoje, dia 6 de Fevereiro, às 20 horas, em frente ao edifício da Câmara Municipal de Pombal, para mostrar o desagrado por várias situações "incompreensíveis".

Há freguesias, como a Almagreira, onde os executivos autárquicos conseguiram arranjar, por sua iniciativa e apoio de empresas locais, geradores de grande capacidade, instalaram-nos com o apoio de técnicos qualificados pela E-Redes e só falta que o pessoas desta empresa os ligue aos PT.

Um deles foi mesmo colocado junto de um PT, mas os técnicos da E-Redes não apareceram, nem responderam às solicitações dos autarcas", ilustra Tatiana Ferreira, porta-voz do movimento informal que está a organizar a manifestação.

A moradora recorda que, em 2028, aquando da tempestade Wesley, conseguiu-se geradores e, em três dias, dar provisoriamente energia aos lares e só depois foi feito o esforço de restabelecer as ligações eléctricas de média e alta tensão. 

Agora, diz Tatiana, a prioridade parece que não são as pessoas, mas as ligações. "A E-Redes, com o seu silêncio e ausência de resposta estão a negar o acesso das populações à electricidadeJá estão a dizer, nas televisões, que, até dia 14 de Fevereiro não haverá electricidade. Neste momento, já não conseguimos viver assim. Há freguesias que não têm água! Há empresas paradas."

Recorda que a região passou já por várias grandes tempestades e enormes incêndios, para afirmar que "não se aprendeu nada", com eles.

"Se não conseguem apoiar as populações, que a E-Redes tenha a humildade de pedir ajuda externa!"

Tatiana Ferreira diz que há muitas pessoas, em especial as mais idosas, a passar muito mal fisicamente e psicologicamente, muitos deles, completamente isolados e sem qualquer contacto desde a madrugada do dia 28 de Janeiro.

A manifestação terá a participação prevista de presidentes de junta e da edilidade, exigindo respostas urgentes e visibilidade para uma crise que afecta famílias inteiras.

Até agora, à semelhança do que acontece com os restantes municípios afectados na região de Leiria pela tempestade Kristin, a E-Redes não apresentou qualquer previsão clara ou plano para a reposição do serviço. "Apenas indicou prazos incompreensíveis: energização dos postos de transformação até 8 de Fevereiro e eventual restabelecimento nas habitações apenas a 14 de Fevereiro", acusa a organização.

A actual ausência de resposta, dizem, é reflexo da "falta de investimento, planeamento e responsabilidade" da operadora E-Redes. 

A, até 2012, empresa pública foi vendida pelo Governo de Passos Coelho a dois grupos económicos, um de origem chinesa e outro árabe de Omã.

Em Dezembro de 2019, o grupo chinês adquiriu ao árabe o seu capital social, tornando-se o investidor maioritário.