Desporto

Já correm, rematam uma bola e treinam jogadas. Só lhes falta um campeonato

11 set 2026 14:55

Terças e domingos são os dias das veteranas do ACD Caseirinhos, onde se conjugam as idades e a experiência para um treino onde prevalece a descontração

ja-correm-rematam-uma-bola-e-treinam-jogadas-so-lhes-falta-um-campeonato
Às terças-feiras e domingos, as atletas entram em campo para melhorar competências e fugir à azáfama do dia-a-dia
ACD Caseirinhos
Inês Gonçalves Mendes

Maria João Lagoa ficou sem ter um clube onde treinar após vários anos dedicada ao futebol feminino, quando o GD Os Vidreiros, na Marinha Grande, deixou de ter equipa sénior.

Aos 43 anos, a ‘sede de bola’ ainda não tinha esmorecido, mas, no mesmo clube, já não podia ser inserida numa equipa de juniores e, mesmo noutro lado, em seniores, também não era fácil.

Até que encontrou, a mais de 40 quilómetros de distância, a solução: na ACD Caseirinhos, em Pombal, algumas mães de jovens da formação também calçavam as chuteiras e, com mais ou menos experiência, escapavam ao stress do dia-a-dia para uma hora e meia de exercício físico.

“Vou e venho da Marinha Grande precisamente pela falta de projectos deste género. Fui muito bem acolhida logo desde início”, afirma a jogadora, que actua no meio-campo.

Neste grupo, encontrou de tudo um pouco. Mulheres que, tal como ela, têm um currículo no futebol, mas também aquelas que nunca experimentaram driblar uma bola. Todas com um objectivo comum: descontrair com o futebol como desculpa.

A equipa de veteranas da ACD Caseirinhos celebrou um ano de actividade em Agosto, mas Rosa ACD CASEIRINHOS pelas outras e, nisso, tenho um gru Pedro, a principal impulsionadora da equipa, conta que o grupo começou a juntar-se antes, quando um dos treinadores das camadas da formação desafiou as mães para um jogo contra os filhos.

“Saímos desse treino todas rotas e a pensar: temos de fazer qualquer coisa à nossa vida, estamos muito mal de forma”, detalha. Daí, começaram as caminhadas e utilizavam “um quarto de campo” para continuar a driblar a bola.

“Quando tivemos o primeiro treinador, ele também teve de nos ensinar a correr. Porque corríamos e ficávamos sem ar. Esteve a explicar, a fazer treinos de força para recuperar a parte muscular, aprendemos onde a bola deve tocar no pé… agora já sabemos trocar a bola umas com as outras”, continua a nomeada capitã de equipa.

Hóquei em patins, futsal, basquetebol ou até danças de salão são modalidades que fazem parte do percurso de algumas destas mulheres, que souberam encontrar o equilíbrio no relvado para respeitar o ritmo de cada uma.

Hoje, um meio-campo já se revela curto para os treinos, num grupo que se aproxima das 40 atletas, orientado por Luís Lourenço – ou Pescas, dentro das quatro linhas – guarda-redes da equipa principal.

 “Elas construíram um grupo engraçado. No futebol, pela experiência que tenho, isso conta muito: a vontade de ir ao treino após a azáfama da vida. Mesmo quando não venho, aos domingos, elas vêm treinar”, salienta o treinador, que, entre risos, confessa que já pediu um adjunto, dado o aumento do plantel.

Pescas constrói o treino a pensar nos diferentes níveis de aprendizagem. “Tento sempre adaptar os exercícios, para que as que já estão mais habituadas não percam os estímulos que têm, sem coisas muito elaboradas para que as outras possam evoluir. Com a mistura entre as duas, quem está mais atrás vai evoluindo e as outras continuam a jogar e a ir ao treino. Puxam umas pelas outras e, nisso, tenho um grupo espectacular”, revela.

Diana Gonçalves atesta esta inclusão. Apesar de gostar da modalidade, apenas jogou futebol na escola e, ao chegar à equipa, entrou num mundo novo. Agora, sabe controlar melhor a bola e enaltece o espírito de grupo. “É bom para descontrair e começar a segunda-feira de forma diferente. Como somos quase todas mães, até sabe bem tirar um domingo ao fim do dia só para termos um momento só nosso”, acredita.

Equipa quer competição

Com atletas, treinador e alguma experiência, só falta uma coisa: um campeonato.

No distrito, não há equipas suficientes para criar competição e a solução é juntarem-se a outros emblemas do País. “Estamos a tentar arranjar competição”, diz Rosa Pedro, ao adiantar que estão em contacto com outras associações e clubes de futebol.

Para já, entram nos torneios que podem e o próximo é a 12 de Outubro, no Porto, exclusivo de veteranas e com equipas internacionais. Para a presidente da ACD Caseirinhos, Sandra Santos, a equipa é uma mais-valia e, apesar de se dizer de veteranas, recebe meninas de qualquer idade – prova disso são duas jovens, ainda sub-15, que não encontram perto de casa um clube com equipa para elas.

“A maior parte das jogadoras tem aqui os meninos a treinar. Em vez de estarem aqui a olhar para o treino deles, treinam também em meio-campo”, menciona a dirigente.