Abertura

Inquilinos da frustração. Quando o sonho tropeça no preço da casa

5 nov 2026 07:30

Por cada vez que é anunciado um novo aumento do preço da habitação, há mais vidas que se encolhem num quarto, mais futuros que se adiam. Anseia-se pela autonomia, por um lar, por um direito que tarda em cumprir-se

Daniela Franco Sousa com CS e EC

O problema da habitação está longe de ser apanágio das grandes cidades. Em Leiria, as casas nunca foram tão caras como hoje. Apontam os dados do Instituto Nacional de Estatística que, no segundo trimestre de 2026, o valor mediano das vendas de alojamentos familiares na Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria chegou aos 1.665 euros/metro quadrado, uma subida de 19,6% num ano. A evolução dos preços contrai a capacidade de compra e, para muitos, até a possibilidade de arrendamento.

Mas a frieza dos números é feita, afinal, de um somatório de histórias de gente, pessoas a quem o custo inatingível de uma casa se traduz num constante adiar de sonhos. Há casais que não conseguem pagar mais do que um quarto num apartamento partilhado com estranhos, trabalhadores sem rendimento para pagar uma renda ou jovens incapazes de deixar a casa dos pais.

O sonho da vivenda

Iolanda Figueiredo, de 21 anos, e Rafael Martins, de 25, vivem num quarto na Rua Paulo VI, na cidade de Leiria. Dividem o apartamento com mais três pessoas e, embora acreditem que a situação é temporária, o facto é que já passaram por outras habitações partilhadas e não conseguem estimar quando vão ter condições para, sozinhos, adquirir o seu próprio espaço.

Ambos são naturais do Norte e foi na Guarda, na terra dele, que se conheceram. Com curso técnico superior profissional em Manutenção e Recuperação Automóvel, Rafael encontrou uma boa oportunidade de emprego em Leiria e Iolanda acabou por mudar-se com o namorado. Ele é mecânico e ela trabalha numa empresa de lavagem de automóveis e, juntos, ganham cerca de 2.000 euros mensais.

Nesta casa, pagam 290 euros pelo quarto, com acesso à cozinha, a uma pequena sala e casa de banho, também ela partilhada. A esta despesa somam- -se as contas da água, gás e electricidade, que rondam os 80 euros mensais. O preço é alto, mas mesmo assim é uma raridade tendo em conta o que se cobra habitualmente em Leiria, repara Iolanda.<

Este conteúdo é exclusivo para assinantes

Sabia que pode ser assinante do JORNAL DE LEIRIA por 5 cêntimos por dia?

Não perca a oportunidade de ter nas suas mãos e sem restrições o retrato diário do que se passa em Leiria. Junte-se a nós e dê o seu apoio ao jornalismo de referência do Jornal de Leiria. Torne-se nosso assinante.

Já é assinante? Inicie aqui
ASSINE JÁ