Sociedade

“Gostava de viver num mundo com dignidade humana igual para todos”

4 set 2016 00:00

Júlio Martins, presidente da Cáritas Diocesana Leiria-Fátima

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Jacinto Silva Duro

Nasceu e cresceu no Juncal, Porto de Mós. Casou e decidiu ir viver para Leiria. Na cidade do Lis viveu durante cerca de 35 anos e, há cerca de um ano, decidiu regressar à terra que o viu nascer. Júlio Martins, presidente da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, conta-nos o seu percurso de vida, sempre orientada por valores cristãos.

Júlio Martins nasceu em 1950. Começou a trabalhar numa fábrica de louça com apenas 11 anos. “Comecei com tarefas pequenas, como pintar a louça”, refere. Casou em 1980, altura em que se muda para Leiria.

Actualmente, reside novamente na terra que o viu nascer: o Juncal. “Nasci em frente à igreja”, diz. Desde cedo que lhe foi fomentada esta ligação à vida cristã. É filho único e foi criado pela mãe, pela avó e por uma tia – “era o rei da casa”.

Esteve na fábrica de louça até ir para o serviço militar. “Com 22 anos fui em missão para a Guiné”, lembra. Esteve na repartição de informações – sabia tudo o que se passava na guerra. Todas as manhãs era informado sobre o que tinha ocorrido durante a noite: quantas bombas tinham rebentado, quantos mortos ou feridos.

“Era um ambiente extremamente doloroso”, confessa o ex-militar, que acompanhava todas aquelas informações “com bastante ansiedade”. Regressa da Guiné em Julho de 1974, pouco depois do dia da Revolução. Lembra que o 25 de Abril foi um grande respirar de alívio para os que estavam na guerra, pois seria o terminar da mesma.

“Era urgente terminar aquele conflito. Tínhamos ido com uma grande pressão psicológica, mentalizados de que íamos defender aquelas pessoas, o que não era verdade”, lamenta. No entanto, quando regressa a Portugal, depara-se com o aparecimento de alguns problemas no País, nomeadamente a dificuldade em encontrar emprego.

Júlio consegue ir trabalhar para a sede do CDS – “tinha lá um primo” – e, algum tempo depois, ingressa na Segurança Social, onde esteve durante 25 anos. Ao mesmo tempo, licenciou- se em Direito pela Universidade de Coimbra.

(...)

“Custa-me muito aceitar que haja pessoas que vivam sem condições de vida humana”, diz. Se estivesse ao seu alcance, seria a este nível que mudaria a sociedade. E, acrescenta Júlio Martins, “gostava de viver num mundo com dignidade humana igual para todos.”

*Ana Camponês

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