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Fólio. Enquanto a IA não acaba connosco, 450 autores pensam para além da pele em Óbidos

8 out 2026 16:00

Jon Fosse, Nobel da Literatura, é uma das figuras do festival literário que começa esta quinta-feira e se prolonga por 11 dias

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Há Jon Fosse, Nobel da Literatura, escritor e dramaturgo. E também Ana Maria Gonçalves, a primeira mulher negra a entrar na Academia Brasileira de Letras, e dois vencedores do Prémio Booker: o canadiano Yann Martel e a indiana Kiran Desai, que em 2006 se tornou a mais jovem mulher a ser distinguida com aquele galardão.

Com a candidatura de Óbidos a Capital Portuguesa da Cultura como pano de fundo, em 2026 o Fólio apresenta para reflexão o tema “Para além da pele”, inspirado na filósofa Silvia Federici. Propõe-se pensar, e conversar, não apenas sobre o corpo, mas também sobre tudo o que precisa para viver – a terra, a água, o ar, o comum.

No projecto para Capital Portuguesa da Cultura 2028, em que concorre com Leiria e outras cidades, Óbidos, que já é Cidade Criativa da Unesco na área da Literatura, sonha criar o Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento e o Centro de Internacionalização da Lingua Portuguesa, ambos a olhar para o espaço onde 300 milhões de pessoas partilham a língua portuguesa. O festival literário lançado em 2015 é outro argumento de peso com que o município do Oeste procura convencer o Governo português.

Nesta edição, a décima primeira, que acontece entre 8 e 18 de Outubro, ao longo de 11 dias, a palavra cruza-se com a ilustração, a banda desenhada, a música, o cinema, a performance, as artes visuais e a inteligência artificial. Os números quase esmagam: 300 iniciativas (entre conversas, oficinas, debates, apresentações, exposições e lançamentos de livros) e 450 autores, criadores e pensadores, de vários países e continentes.

A sessão inaugural, agendada para hoje, quinta-feira, pelas 17 horas na Tenda Literária, tem o título “A exaltação da pele” e junta Ana Zanatti, José Anjos e Pedro Jóia numa leitura musicada de poemas de vários autores. Está anunciada a presença do ministro Leitão Amaro.

Até 18 de Outubro, a agenda inclui momentos com Aixa de la Cruz, Catherine Millet, Vera Iaconelli, Kamel Daoud, Leila Slimani, Michael Cunningham, Mohamed El-Kurd, Michela Marzano, Anne Serre, Rachid Benzine, Martin Desrosiers, Gabriela Cabezón Cámara e Niklas Frank. Espera-se que os diálogos abracem ideias como “Identidade”, “Ficção”, “Ciúme”, “Afinidades”, “Circunstância”, “Memória”, “Fronteiras”, “Mãe” e “Família”. Mas não só. Entre os portugueses, constam no cartaz Valter Hugo Mãe, Ricardo Araújo Pereira, Marco Neves, Filipa Martins, Mário Centeno ou Francisco Louçã.

Rita Nabais, de Alcobaça, apresentará a novíssima recolha História do Rock Português, e Carla Pais, de Leiria, mas radicada em França, vai falar do livro A brutalidade do movimento conjugado, que lançou no início do ano. Outros autores portugueses presentes são Ana Maria Gonçalves, António Cabrita, António Castro Caeiro, Ana Margarida de Carvalho, Patrícia Reis, Patrícia Portela e João Pedro Vala.

Organizado pelo município de Óbidos e pela empresa municipal Óbidos Criativa, o Fólio tem como parceiros a Fundação Inatel e a Livraria Ler Devagar. Este ano, vai, inevitavelmente, abordar a expansão da inteligência artificial e com dois caminhos para o debate: IA e futuro; IA como mente pensante; IA e autoria, voz e originalidade; IA na gestão e inovação; os limites da máquina: pode a IA conhecer e decidir.

As mesas de autores são a “plaza mayor” do festival. E logo no primeiro sábado, dia 10, o destaque: às 21 horas, Jan Fosse conversa sobre o “Indizível”. No dia seguinte, às 15 horas, o Nobel da Literatura de 2023 dá uma entrevista de vida a convite da Penguin House.