Sociedade

Flexibilidade e criatividade conquistam alunos para a escola

14 out 2017 00:00

Professores assumem como desafio turmas que não gostam de estudar.

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Uns frequentam os Cursos de Educação e Formação (CEF), outros o ensino vocacional ou os Percursos Curriculares Alternativos. Em comum, a maioria tem vontade de abandonar o ensino ou um historial de indisciplina, dificuldades em acompanhar o ensino regular ou insucesso escolar. Para acompanhar estes alunos, é necessário professores com algum perfil.

Quem lida com estes jovens assume que é um desafio aliciante e que se sente realizado quando consegue demonstrar que estes jovens também têm capacidades. “Nestas turmas há alunos tão ou até mais inteligentes que os do ensino regular. As famílias nem sempre souberam acompanhá-los da melhor forma e as vicissitudes da vida fizeram deles vítimas sociais.

Precisam apenas de se sentir apoiados por alguém que se responsabilize por eles”, refere F.S., docente de uma escola de Leiria. “É preciso saber entrar no espaço deles e tirar o melhor que têm. Não se trata de impor, mas de ir ao seu encontro e deixá-los descobrir as suas mais-valias”, acrescenta T. M., professora de uma outra escola de Leiria.

Nestes cursos, o currículo é mais flexível e prático. “Muitas vezes, estes alunos ‘só’ não gostam da escola, mas nada os impede de se tornarem adultos pro-activos e capazes. São jovens que andaram perdidos no sistema e quando lhes damos uma oportunidade ajustada acabam por fazer o 3.º ciclo”, adianta F.S. Captar a atenção destes jovens e torná-los interessados pela escola é quase uma missão impossível, que é possível vencer.

“Temos que criar empatia com estes alunos, ser um bocadinho criativos e flexíveis, desvalorizar alguns comentários e até utilizar o sentido de humor para resolver alguns conflitos. Um professor inflexível vai ter problemas com estes alunos, porque vai entrar em braço de ferro. Há que fazer respeitar-se, mas conquistando o respeito dos alunos”, aconselha F.S.

Também T.M. entende que “é preciso impor regras e mostrar que existe uma hierarquia”, mas ao mesmo tempo “saber ouvi-los e permitir uma proximidade”. “Às vezes basta dois minutos a ouvir para ganhar um miúdo.” A preocupação, segundo as docentes, é dar-lhes competências para que “saibam estar e saibam fazer”. “Mais do que dar os conteúdos, é ensinar a respeitar o outro.”

Este ano, T.M. é responsável por um apoio tutorial específico. À sua frente tem os alunos que já tiveram mais do que duas retenções no percurso escolar e a sua primeira preocupação é fazê-los entender o que estão a fazer na escola. “Tento que, através deles próprios, encontrem e percebam a utilidade da escola. Enquanto não ouvirmos as suas necessidades não chegamos a estes aluno

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