Viver
Exposições: Mulheres
Livraria Arquivo
“Durante grande parte do meu percurso a representação da mulher era rara ou não acontecia”, reconhece Nuno Viegas, no texto de enquadramento da exposição que agora pode ser vista na livraria Arquivo. “Não de forma muito consciente, mas talvez por me faltar o lugar de fala”, explica. “Sendo o meu trabalho oriundo sobretudo de uma investigação interior subjectiva, creio que a figuração mesmo que direccionada para um nível impessoal, ou por outra, de universalidade, acabava por reflectir a minha condição de género. O mesmo acontecia, talvez por pudor, com a evocação do acto sexual ou de um erotismo mais explícito”.
A série “Mulheres”, de que a exposição na Arquivo, com o mesmo título, a primeira exposição individual de Nuno Viegas em Leiria, constitui uma amostra, surge, então, para contrariar essa lacuna. “Assumindo essa ideia do corpo feminino como um desafio, um território alheio e desconhecido, um pretexto de experimentação formal e semântica”.
Há premissas deliberada e tendencialmente individualizadas, centrais, fortes, dominantes, expansivas, exageradas, desproporcionais, distorcidas, grotescas, por vezes incompreensíveis. “Há também uma ideia de volúpia inquinada, um erotismo impostor, ou em auto-sabotagem. São tudo mecanismos de um método mais ou menos lúcido de desobjectificação, entre a timidez e a ousadia”, conclui.
E ainda:
Deviam ter sido trevos, de Anabela Ferreira, até 7 de Novembro, na Casa Varela, em Pombal.
Contadores de histórias - Jorge Queiroz, Paula Rego e Sue Williams na Colecção de Serralves, até 31 de Janeiro, na Villa Portela, em Leiria