Sociedade

Estágios tornam alunos mais responsáveis

17 mai 2018 00:00

Escolas satisfeitas, empresas mais críticas

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Alexandra Barata

Ter de cumprir horários e rotinas, sem intervalos de 45 em 45 minutos, são apenas duas de muitas regras que os alunos de cursos profissionais têm de seguir em contexto de estágio.

Apesar deste sistema de ensino estar mais vocacionado para o saber-fazer, a primeira experiência no mundo do trabalho nem sempre é fácil. Uma coisa é certa, as centenas de horas de contacto com a realidade torna-os mais maduros e responsáveis.

A constatação é generalizada, por professores e por empresas. “Os alunos levam os estágios muitoa sério e vêm muito diferentes: mais maduros e com outra mentalidade”, assegura Luís Sá Lopes, director pedagógico da Escola Técnica Empresarial do Oeste (ETEO), em Caldas da Rainha.

Sá Lopes garante que os estágios costumam correr bem, porque os alunos são acompanhados de perto pela escola. A fuga à norma prende-se com situações relacionadas com faltas ou atrasos, que o estabelecimento de ensino de Caldas da Rainha resolve com facilidade.

Aliás, o director pedagógico da ETEO diz que, em muitos casos, os alunos acabam por ficar a trabalhar nas empresas onde estagiam. “Dão boa conta do recado.”

Os estudantes dos cursos profissionais do Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande, também costumam deixar boa imagem nas entidades onde estagiam. “Os nossos alunos destacam-se, na parte prática, e são raros os casos em que não se empenham”, afirma Fernando Henriques, adjunto da Direcção. “Tenho tido surpresas muito agradáveis, até da parte de alunos mais fracos, que depois se revelam muito dedicados nos estágios.”

Fernando Henriques acredita que o facto de ficarem sozinhos em contexto de estágio é fundamental para os responsabilizar, porque “saem da sua zona de conforto”.

E dá como exemplo os estudantes de Electrotecnia que costumam fazer o estágio na mesma empresa, ao longo dos três anos de curso, porque as entidades “fazem questão” de ficar com eles.“Os alunos quando regressam dos estágios vêm completamente diferentes, pelo contacto com a realidade”, confirma António Figueira, director pedagógico da Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal (ETPZP), em Pedrógão Grande.

Considera, por isso, que estas experiências profissionais “fazem parte integral do projecto de crescimento dos alunos”, ao contribuírem para que fiquem mais responsáveis.

Formar seres humanos

Ao contrário do que se possa pensar, António Figueira esclarece que as características mais valorizadas pelas entidades que recebem estudantes em contexto de estágio são humildade, educação, interesse em aprender e gosto em trabalhar, e não as melhores médias. “Na EPTZP trabalhamos muito a vertente do ser humano.”

Talvez também por isso, garante que são “raríssimos” os casos em que o aluno desiste ou há problemas com a entidade empregadora.

O feedback que Teresa Faria, adjunta da Direcção do Agrupamento de Escolas de Porto de Mós, tem das entidades que recebem estudantes dos cursos profissionais também é posit

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