Sociedade
Ervas em Mira de Aire abrem polémica entre junta e Câmara de Porto de Mós
Troca de acusações entre presidentes de junta e da câmara, ambos eleitos pelo PSD
Estalou o verniz entre a Câmara de Porto de Mós e a Junta de Mira de Aire, ambas lideradas por eleitos do PSD, devido à falta de limpeza das ervas nas bermas da estrada. “Não estamos disponíveis para pagar aquilo que depende dos outros. Quem tem de limpar, que limpe”, afirmou Alcides Oliveira, presidente da Junta, perante a Assembleia de Freguesia, alegando que é à câmara que cabe “limpar bermas e cortar ervas na zona urbana”.
O presidente do município, Jorge Vala, ripostou na última reunião de Câmara, frisando que a junta recebe, por via da descentralização de competências, verbas para executar esses trabalhos. “A lei obrigou-nos a transferir esta competência para as juntas, pagando, naturalmente,”, afirmou Jorge Vala, adiantando que, no caso de Mira de Aire, o município transfere para a junta “a módica quantia de 22.217 euros” por ano. Pelo que, lamentou a “ falta de solidariedade” da junta, por “responsabilizar o município por uma coisa que é da sua responsabilidade”.
Jorge Vala sublinhou, no entanto, que "coisa diferente é a EN243", cuja responsabilidade é da Infraestruturas de Portugal. Não obstante, no ano passado, a Junta de Freguesia gastou "1.908 euros na limpeza de bermas" dessa via, referiu o presidente da junta.
O presidente da câmara referiu que já contactou a empresa, tendo sido informado que "não há concurso a decorrer" para esses trabalhos. "Pediram para a câmara limpar. Vou ver o que pidemos fazer, mas fica mal à junta de fregesua demarcar-se de fazer o que tem de fazer", criticou Jorge Vala.
Já o vereador do PS, Fernando Gomes, lamentou o "estado lastimável em que Mira de Aire está", saindo em defesa da câmara, que transfere verbas para as juntas, para que sejam elas a efectuar as intervenção. "Olhando para as outras nove freguesias do concelho, nenhuma está como Mira de Aire", apontou.