Sociedade

A engenheira química que vende pastéis de nata em Nova Iorque

19 nov 2015 00:00

“A creamy, flaky, crispy taste of Portugal. Served warm or cold, sprinkled with cinamon or just as it is” ou seja, “um sabor de Portugal, cremoso e estaladiço. Servido quente ou frio, polvilhado com canela ou simples”.

Mónica Besteiro criou a MoNata para matar saudades de Portugal (Foto: DR)
Jacinto Silva Duro

É assim que Mónica Besteiro apresenta os seus pastéis de nata aos nova-iorquinos de Queens, Manhanttan e Brooklyn. Engenheira química especializada em dispositivos biomédicos, a trabalhar no laboratório de órgãos artificiais da Universidade de Columbia, criou em Maio deste ano a MoNata Bakery – um nome que mistura Mónica e Nata – e que, ao contrário do que a palavra bakery poderia induzir, não é uma pastelaria.

“Também não é um café, que vende pastéis de nata ao público, é somente a produção e venda a cafés, supermercados ou online, entregue por serviços de entregas aos clientes. Como há muita gente que não tem carro em Nova Iorque e que trabalha em vários horários, há serviços de entrega de todo o tipo de comida”, explica.

A MoNata pode ser encontrada nesta hiperligação. A ideia de avançar com a confecção de pastéis de nata começou com as saudades de casa. Mónica partiu de Leiria para Nova Iorque em 2012 e, além da óbvia falta da família e dos amigos, a jovem começou a sentir a ausência da comida em especial dos pastéis de nata.

“Pode parecer um enorme cliché, mas a última coisa que se faz no aeroporto antes de se apanhar o avião e ir embora é beber um café e comer um pastel de nata. A primeira coisa que se faz, quando se aterra é beber um café e comer um pastel de nata.”

Em busca do pastel nacional que não conseguiu achar em Manhattan, onde mora, descobriu que, se quisesse mesmo apaziguar o desejo teria de se enfiar num comboio, passar o rio Hudson e ir até Nova Jérsia ou Newark onde existe uma grande comunidade portuguesa.

“Mesmo que trouxesse uma quantidade grande para casa, ao fim de três dias já não estavam bons. E foi por isso que pensei porque não fazê-los aqui? Não devia ser uma coisa do outro mundo”, conta… mas a realidade revelou-se mais complicada do que o plano.

“É mesmo difícil fazê-los”, admite. Numa das vezes que foi de visita a Portugal, procurou quem soubesse fazer os deliciosos e estaladiços pastéis e a ensinasse. Em Leiria não conseguiu quem ensinasse e e em Lisboa também não. Teve de ir para o norte.

Com os ensinamentos frescos na cabeça, ensinou a uma colega a arte e as duas trabalham agora em equipa. O resultado foi tão bom que seguiram o conselho de ir para as feirinhas de Verão vender “as natas portuguesas”. “Não se pode dizer que já é um 'sucesso' total. É uma coisa recente e há muita gente que não conhece, especialmente os americanos, mas alguns asiáticos conhecem.

Há pastéis de nata, em Macau, influenciados pela nossa passagem por lá,” conta. Investigadora na Universidade de Columbia Mónica Besteiro tem 38 anos e um doutoramento em engenharia química concluído no Instituto Superior Técnico, no campo dos dispositivos biomédicos.

Começou na área da cardiologia e focou o seu doutoramento numa máquina coração-pulmão, que substitui estes órgãos, quando é necessário proceder a cirurgias cardiotoráxicas com o coração parado. “É preciso desviar o sangue para o pulmão, para que o sangue seja oxigenado, sem recurso ao coração.” Seria uma questão simples, não fossem as complicações provenientes da composição e comportamento do sangue.

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