Economia
Egipto abre janela de oportunidade para a indústria de moldes
Unboxing Markets
O crescimento dos ramos automóvel, embalagem e electrodomésticos no Egipto, aliado à aposta governamental egípcia na produção local e à posição do país como plataforma de acesso a África e ao Médio Oriente, coloca o mercado norte-africano no radar das empresas portuguesas de moldes.
Esta foi uma das conclusões avançadas no webinar "Unboxing Markets: Mercado do Egipto", promovido pela Cefamol - Associação Nacional da Indústris de Moldes, a 27 de Maio, com a participação de mais de duas dezenas de profissionais da fileira, e tendo como oradores Pedro Garcia e Henrique Ferreira, da MAAB Consulting.
Pedro Garcia abriu a sessão a sublinhar o potencial da região árabe, descrevendo-a como rica em recursos energéticos, com uma população jovem e uma forte presença de multinacionais que "necessitam de know-how para crescer".
O responsável salientou que o Egipto "tem vindo a afirmar-se como plataforma estratégica para acesso a outros mercados em África e no Médio Oriente", mas alertou para o ritmo próprio dos negócios naquele contexto.
"O tempo dos negócios não é rápido", advertiu.
Acrescentou ainda que "as relações pessoais e de confiança são essenciais" e que, uma vez conquistada essa confiança, os clientes "dificilmente mudam de parceiro de negócio".
Entre os factores críticos de sucesso, Garcia apontou a identificação de distribuidores qualificados, a presença contínua através de feiras e visitas regulares, a adaptação das propostas ao contexto industrial local e o apoio em certificações técnicas.
A apresentação de referências em mercados comparáveis foi igualmente identificada como um elemento valorizado pela indústria egípcia.
Já Henrique Ferreira centrou a intervenção nas fileiras com maior potencial para os moldes portugueses.
No ramo automóvel, destacou a meta do Egipto de produzir internamente 45% dos componentes dos veículos fabricados no país até 2030 e revelou que, entre 2024 e 2025, o país registou "o maior ciclo de investimento automóvel da sua história", com as vendas a duplicarem nesse período.
Apesar da presença de grandes fabricantes internacionais, a produção local continua aquém das necessidades do mercado, abrindo espaço para painéis interiores, conectores eléctricos, peças técnicas de motor e caixas para sistemas electrónicos.
A embalagem surge como outro ramo em forte expansão, sobretudo nas áreas alimentar, farmacêutica, cosmética e logística.
O mercado egípcio conta com cerca de 7.500 fábricas e um valor estimado em mais de 2,5 mil milhões de dólares, impulsionado pelo crescimento do consumo interno e pelos incentivos à instalação de empresas no território.
Nos electrodomésticos, o investimento recente de grupos como Samsung, Bosch-Siemens e Midea Group cria procura de componentes plásticos para incorporação nos seus produtos.
Os dois oradores reconheceram que o aumento dos custos de transporte, influenciado pela conjuntura internacional, representa um desafio acrescido, embora se trate de um constrangimento transversal aos mercados globais.