Sociedade

E agora PSD de Leiria?

12 out 2017 00:00

A derrota que o PSD sofreu em Leiria, com o pior resultado de sempre, será o culminar de um histórico de guerras e divisões internas que têm consumido o partido a nível local.

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Maria Anabela Silva

Quando há quatro anos o PSD obteve a maior derrota, até então, nas autárquicas em Leiria, muitos terão pensado que pior seria impossível. Engano. Afinal, o desfecho das últimas eleições revelou que era possível baixar ainda mais.

É verdade que a candidatura à Câmara liderada por Fernando Costa obteve quase mil votos a mais do que havia conseguido Álvaro Madureira em 2013, mas tal não impediu que o partido perdesse um vereador (restam-lhe três em 11), reduzindo a votação final de 27,9 para 26,9%. Nas freguesias a razia foi quase total. O PSD perdeu mais duas, ficando a liderar apenas duas das 18.

Os resultados são vistos por muitos como o culminar de anos de polémicas que têm consumido o partido a nível local. Um histórico de guerras e de divisões internas que começaram ainda quando o PSD era, indiscutivelmente, poder em Leiria. Recuemos duas décadas. O partido prepara as autárquicas de 1997. João Poças Santos é anunciado como cabeça- de-lista à Câmara, mas bateu com a porta e retirou a candidatura.

José António Silva, que dois anos antes tinha ganho as eleições internas contra Isabel Damasceno, era o líder da concelhia e convida a sua antiga opositora para liderar a lista à Câmara. A social-democrata ganha as eleições mas ganha também um opositor: o próprio José António Silva. Os dois estiveram no centro de muitas das polémicas que, no passado recente, marcaram a vida do PSD de Leiria.

As desavenças, que surgiram logo no início de mandato, começaram a ser públicas no final dos primeiros quatro anos de governação de Isabel Damasceno, com a oposição de José António Silva ao projecto de remodelação do estádio.

Contudo, a concelhia do PSD aprovaria a recandidatura de Isabel Damasceno à Câmara e escolheu José António Silva para cabeça-de-lista à Assembleia Municipal. Ambos justificariam essa solução com o facto de haver um compromisso para dois mandatos. Nos quatro anos seguintes, as críticas do médico à gestão de Isabel Damasceno subiram de tom, a tal ponto de José António Silva ser considerado o principal elemento da oposição. Opôs-se, por exemplo, às obras do Polis e à construção de um túnel junto ao jardim e participou ao Tribunal de Contas suspeitas de irregularidades nas contas do município.

Os dois voltariam a enfrentar-se em eleições internas. Foi em 2004. A menos de um ano das autárquicas, ambos disputaram a distrital do PSD. Desta vez, Isabel Damasceno levou a melhor, com uma vitória que abriu caminho à sua recandidatura à Câmara em 2005. Quatro anos depois, a concelhia escolhe José António Silva para liderar a lista do partido nas autárquicas de 2009, mas a estrutura nacional do PSD rejeita o nome e, à revelia das estruturas locais, impõe Isabel Damasceno como cabeça-de-lista.

Os sociais-democratas perdem a Câmara para Raul Castro, com o PS a conseguir uma vitória que a facção afecta à ex-autarca considera que teve o empurrão de José António Silva e seus apoiantes. Isabel Damasceno acabaria por deixar o lugar de vereadora da oposição, para assumir o cargo de gestora do Mais Centro, programa de gestão de fundos comunitários. José António Silva, esse, manteve-se no activo e nas autárquicas de 2013 voltou a ser associado à polémica que, mais uma vez, envolveu a candidatura do PSD à Câmara de Leiria.

Gastão Neves é aprovado como cabeça- de-lista, mas desiste devido ao anúncio, à sua revelia, de José António Silva como número um à Assembleia Municipal. Álvaro Madureira substituiu Gastão Neves como candidato e aí … voltamos ao início do texto: o PSD sofre uma pesada derrota, que seria ainda pior este ano.

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