Sociedade

Duarte Basílio: "No xadrez voo muito baixinho... estou mais para ensinar a voar"

4 jun 2017 00:00

Xadrez, atletismo e basquetebol na Impressão Digital desta semana.

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Quem é o campeão de xadrez lá em casa?
Para já o campeão é sem dúvida o Rodrigo, mas tem dois rivais em ascensão: os irmãos gémeos de seis anos.

Convencer adolescentes a trocar os videojogos pelo xadrez é como convencê-los a gostar de sopa?
Até poderíamos dizer que sim, tanto a sopa como o xadrez fazem muito bem à saúde. O que é importante é a forma como mostramos a um adolescente que nem sempre o mais fácil é o melhor para nós.

Eles ainda sonham em jogar como Kasparov ou o desafio já passa por derrotar programas de computador?
O xadrez é muito mais do que um mero jogo de vitórias e derrotas; jogar contra adversários reais é de longe muito mais aliciante do que jogar contra computadores. Há uma dimensão humana imprescindível neste jogo: o olhar nos olhos, sentir a concentração do outro, o silêncio da estratégia, o apertar das mãos no fim, nenhuma máquina substitui isto!

Num embate entre um computador ZX Spectrum e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quem chega mais rápido ao cheque-mate?
Se conseguirem impedir que o Trump faça um muro à frente do rei dele, aposto no Spectrum, e bastaria o nível um.

O xadrez é uma prova de velocidade ou resistência?
As duas coisas. No xadrez há inúmeras variantes, desde jogos blitz, que podem ter um minuto, a jogos de “clássicas”, o verdadeiro xadrez, que podem durar facilmente quatro, cinco horas, o que implica, sem dúvida, além de um poder de concentração irrepreensível, uma resistência fora de série. 

É possível fazer batota?
Claro, e até a altíssimos níveis já foram apanhados grandes mestres a fazê-lo, o que é lamentável. Na era digital é fácil, qualquer ida ao WC pode ser suspeita... e qualquer aplicação do telemóvel é suficiente para se certificar da próxima melhor jogada. 

Vê o vídeo-árbitro a analisar movimentos en passant, roques e promoções?
Numa situação ideal seria um árbitro por mesa. Os Corvos do Lis já perderam um campeonato nacional por equipas (fomos vice campeões) devido a um lance polémico de promoção. Nunca pensei nisso mas o vídeo-árbitro pode bem ser a solução para estas situações.

Se o xadrez fosse inventado agora, que peças estariam no tabuleiro em vez de torres, cavalos e reis?
Estou indeciso em encaminhar a resposta para a era militar, com tanques e misseis num combate entre poderios económicos e religiosos, ou armar-me em poeta…

Como atleta era preguiçoso e malandro ou trabalhador e disciplinado?
Uma pessoa pode ser malandra sem deixar de ser trabalhadora e disciplinada, o desporto tem esta grande mais-valia de nos conseguir fazer perceber que há alturas para tudo, se queremos ser um atleta forte não o poderemos ser sem trabalho e sem disciplina, o que não quer dizer que isso seja incompatível com tempos de lazer, de preguiça ou de diversão, o que se lhe quiser chamar.

Hoje enquanto professor e treinador que atitudes o tiram do sério?
A falta de ambição para qualquer coisa.. a maioria dos jovens de hoje não ambicionaa nem se entrega com empenho a nada.

Eles querem é jogar à bola ou já existe uma cultura desportiva mais rica?
Claro que o futebol continua a ser a modalidade preferida mas, cultivando um espirito competitivo numa turma, eles acabam por gostar das outras modalidades. Também nos cabe a nós, docentes, aumentar a sua cultura desportiva.

Que memórias guarda da prova em que se tornou recordista nacional dos 400 metros em pista coberta?
Sinceramente um misto de orgulho e de frustração. Na altura sabia que era possível bater o recorde nacional mas queria, ao mesmo tempo, baixar dos 50 segundos. Bati o recorde com 50.5 segundos.

Faz sentido chamar-lhe xadrezista voador?
No xadrez voo muito baixinho.. estou mais para ensinar a voar quem tem asas para ir longe.

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