Sociedade

Doar cabelo: a moda solidária da oferta que excede a procura

31 mar 2016 00:00

Centenas de raparigas deixam crescer o cabelo para doar. Depois de cortado é aproveitado para fazer perucas, sobretudo para doentes com cancro. A Liga Portuguesa contra o Cancro, apela ao fim do envio

doar-cabelo-a-moda-solidaria-da-oferta-que-excede-a-procura-3554
Paula Sofia Luz

Ao princípio o motivo era mais comum do que se possa pensar: Liliana ia casar. Já se sabe que as noivas gostam de penteados elaborados e, por isso, “se ele tivesse algum comprimento seria mais fácil decidir o que fazer”, conta a rapariga que muitos conhecem como rockeira de serviço em bares da região com o nome de Ela e os Monstros.

Quando não está nos palcos a soltar aquele vozeirão, Liliana Gaspar, 33 anos, é auxiliar de acção médica no Centro Hospitalar de Leiria. Sempre ouviu muitas histórias de quem doava cabelo para fazer perucas, depois o Facebook começou a encher- se de fotos e declarações de dádivas ao IPO, algumas amigas fizeram-no, e Liliana começou a alimentar a ideia e o cabelo.

Casou em Setembro de 2015, o penteado estava feito, podia finalmente doar o longo cabelo castanho. A primeira porta a que bateu foi precisamente o IPO, em Coimbra, e percebeu “que não aceitavam”, porque fazer perucas de cabelo natural ficava demasiado caro, além de se tratar de um processo moroso. “Não desisti”, lembra Liliana, que se pôs em campo a pesquisar na internet e encontrou algumas instituições que aceitavam cabelo, a maioria delas no Reino Unido.

Acabou por escolher a Little Princess Trust, uma organização dedicada à causa das perucas para crianças com cancro. “Depois foi só ir ao cabeleireiro. Fizemos a trança (tinha 27cm) e enviei-a pelo correio”.

O gesto de Liliana repete-se, amiúde, por todo o País. No distrito de Leiria são, cada vez mais, os exemplos, embora a maioria desconheça que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e o Instituto Português de Oncologia (IPO) não incentivam nem aceitam cabelo com facilidade.

Sara Aires, 36 anos, só o descobriu quando chegou a sua vez de enviar a trança. “Como muitas mulheres e meninas, sempre gostei de cabelos compridos, eles são (fruto de estereótipos ou não) uma afirmação de feminilidade”, acredita.

À imagem da história de Sansão e Dalila, “somos quase sempre habituadas à ideia de que quanto mais compridos os cabelos, mais bonitas, mais mulheres, e mais interessantes e fortes somos”.

Leia mais na edição impressa ou torne-se assinante para aceder à versão digital integral deste artigo

EVENTOS