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Demolhado e odiado, o 'Enterro do Bacalhau' acontece no dia 2 de Abril

15 fev 2016 00:00

Depois de quatro anos de molho, o bacalhau está pronto para o enterro no Soutocico

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Jacinto Silva Duro

Depois de quatro anos de molho, o bacalhau está bem demolhado e pronto para o enterro no Soutocico, Arrabal (Leiria), durante o Enterro do Bacalhau, um evento cariz marcadamente pagão que se realiza de quatro em quatro anos apenas. Este ano, este grande teatro de rua acontece no dia 2 de Abril. 

Além do Enterro do Bacalhau, com o tradicional cortejo às 21 horas, o Clube Recreativo e Desportivo do Soutocico promove a quinta edição do Festival do Bacalhau, a partir das 17 horas, sendo possível degustar diversas iguarias confeccionadas a partir do "fiel amigo".

O Enterro do Bacalhau é uma peça teatral que remonta a 1938, representada pela   população do Soutocico e que conta com cerca de 300 figurantes, que se fazem passar por padres, freiras, bispo, sacristão, pescadores, varinas e músicos, num cortejo que inclui paragens em que são declamados o sermão Vida e Morte do Bacalhau, o sermão Testamento do Bacalhau e o sermão Exéquias do Bacalhau, com textos marcados pelo humor satírico. 

Além dos sermões, é também da tradição a queima do Judas, após o enterro. De cariz marcadamente pagão, este evento popular realiza-se de quatro em quatro anos, consistindo num protesto contra a proibição do consumo total de carne durante a   Quaresma mas que abria uma excepção a todos os que comprassem a bula, um indulto apenas ao alcance dos mais abastados, pelo que o povo se socorria do bacalhau por ser mais barato.

O Enterro do Bacalhau chegou a ser proibido pelo regime de Salazar, mas foi reatado após a revolução de Abril de 1974.