Sociedade

Das nascentes do Lis e Lena até à Praia da Vieira a dar ao pedal

19 jun 2020 08:00

“Orografia difícil” obriga Porto de Mós a procurar soluções inovadoras

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Trabalhos para ecopista após estádio de Leiria e até à foz revelar-se-iam fáceis
Jacinto Silva Duro
Jacinto Silva Duro

A Linha do Dão, antiga linha ferroviária entre Santa Comba Dão e Viseu, desactivada em 1988, foi transformada, em 2011, na Ecopista do Dão.

Com 49 quilómetros de extensão é a ecopista mais comprida de Portugal e pode ser percorrida a pé ou de bicicleta, sendo vista como um conceito revolucionário em termos turísticos e de captação de público.

Ganharam as empresas de aluguer de bicicletas, ganharam a restauração e a hotelaria, bem como as empresas de organização de eventos.

Na actual sociedade com grandes preocupações ambientais, de sustentabilidade e de saúde, este tipo de equipamentos capta cada vez mais dinheiro e turistas.

É neste cenário que surge a ideia de ligar as nascentes dos rios Lis (Leiria) e Lena (Porto de Mós) à foz, na Praia da Vieira, no concelho da Marinha Grande, um projecto que, há muito, está a ser estudado.

Os Executivos municipais da Batalha e de Porto de Mós têm já nas mãos a maior parte do processo da “Ciclovia do Lena (Porto de Mós- Batalha”, que segue junto ao percurso do leito do Rio Lena entre a nascente e a fronteira com o concelho de Leiria, e deverão apresentá-la em breve na CIMRL, a fim de captar verbas.

“O projecto envolve dois municípios e é necessário uniformizar a tipologia de percurso e critérios a ter em consideração. No momento, estamos na fase final de elaboração da ligação entre o centro da vila de Porto de Mós e o da vila da Batalha. Esta ciclovia urbana irá ligar os dois concelhos através de ciclovia para bicicletas e um passeio para circulação pedonal”, anuncia o vice-presidente da autarquia e vereador do Desporto, Cultura, Turismo e Ambiente, Eduardo Amaral.

A jusante, na Batalha, a Ecovia Collipo ao Vale do Lena, como ali se irá chamar, continuará a ligação até ao limite deste concelho com o de Leiria.

O presidente da Câmara da Batalha entende que a ecovia permite valorizar a paisagem ribeirinha e promover a valorização e conhecimento do património natural da Bacia Hidrográfica do Lis, reforçando o papel de outras sedes de freguesia, como a Golpilheira, no desenvolvimento local.

“Considerando a meta preconizada de aumentar o número de visitantes por ano, a passagem da ecovia pela antiga cidade romana de Collipo, reforça os objectivos de promoção, valorização e captação de fluxos turísticos atendendo à importância arqueológica do local”, afirma Paulo Batista Santos.

Em Leiria, onde os rios Lis e Lena se juntam, a autarquia refere que “o trabalho está a ser desenvolvido”, embora, o presidente da Câmara, reconheça que, neste momento, não está no topo das prioridades, por se considerar que as novas medidas motivadas pela pandemia e constantes do novo conceito de mobilidade, que será anunciado esta semana e que incluiu ciclopistas dentro da cidade, têm primazia.

Clique e leia aqui a primeira parte deste artigo: Leiria vai ter novas ciclovias e apoio para bicicletas eléctricas

Gonçalo Lopes admite, contudo, que no, futuro, essa obra poderá trazer ganhos turísticos, de saúde e de lazer, como aconteceu no Dão.

"Após o estádio, em direcção à Vieira, os trabalhos serão mais rápidos e fáceis, mas é preciso resolver questões de propriedade nas margens, a montante da cidade", ressalva.

Embora, por lei, seja crime vedar o acesso às zonas ribeirinhas, que são do domínio público, há várias propriedades, entre Leiria e a nascente do Lis, onde é impossível chegar às margens do rio Lis.

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