Sociedade

Corpo de criança de Peniche descoberto numa zona de mata coberto por arbustos

10 mai 2020 19:02

Desconhecem-se, para já, as circunstâncias em que a menina de nove anos morreu. O pai e a madrasta estão detidos por suspeitas de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

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Judiciária acredita que a criança terá morrido na quarta-feira, em casa do pai.
Ricardo Graça

O corpo da criança de nove anos que estava desaparecida em Peniche foi encontrado, esta manhã, em Serra d’el Rei, tapado por arbustos. O pai e a madrasta são os principais suspeitos da morte, segundo avançou a Polícia Judiciária de Leiria.

O coordenador do Departamento de Investigação Criminal de Leiria da Polícia Judiciária, Fernando Jordão, disse, esta tarde, que a criança, desaparecida desde quarta-feira, terá sido morta nesse mesmo dia e o corpo transportado para a mata ao final do dia. Para já, desconhecem-se as circunstâncias da morte.

“Estamos a verificar [cenário da morte], mas claro que terá de ter acontecido em algum contexto de violência”, disse em conferência de imprensa, salientando que, “à partida” não terá sido uma morte acidental.

O coordenador da PJ de Leiria adiantou que a morte terá ocorrido “por questões internas do funcionamento da família”, escusando-se a revelar mais informações, referindo, no entanto, que esta situação não terá correlação com o desaparecimento da criança numa outra ocasião.

Convicto que a vítima terá sido morta dentro da habitação, o responsável da Judiciária desconhece se as outras três crianças - “de 11/12 anos, quatro e meses” -, que se encontravam em casa terão assistido a alguma coisa.

A PJ ouviu já a criança mais velha, assim como os principais suspeitos, o pai, de 32 anos e a madrasta, de 38 anos, sobre os quais recaem suspeitas de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Entretanto, durante o dia de hoje, a Judiciária esteve hoje, com os dois suspeitos em Atouguia da Baleia, a reconstituir o alegado crime, na casa onde terá ocorrido.

A investigação começou como um desaparecimento e os indícios que surgiram, relacionados com a “análise, entrevistas e interrogatórios” realizados a várias pessoas “levaram à detenção”.

“As entrevistas e inquirições feitas a várias pessoas permitiu-nos fazer a correlação entre todos os dados que tínhamos em cima da mesa no sentido de colocarmos todas as hipóteses que seriam possíveis até encontrarmos indícios de condutas criminosas”, acrescentou.

Fernando Jordão não aponta um momento concreto que levou os inspectores a tratarem o caso como um possível crime. “Perante um caso de desaparecimento temos de abrir muitas hipóteses e sub-hipóteses. Não há um momento em que se possa dizer que acabou o desaparecimento e é um grande homicídio. O que se pode dizer é que é um desaparecimento que veio a redundar num homicídio.”

Ao longo dos dias, a PJ realizou várias entrevistas e inquirições juntos de diversas pessoas, que conduziram aos indícios, que Fernando Jordão optou por não especificar.

O coordenador disse ainda não ter informações que indiquem que a criança seria vítima de maus-tratos por parte do pai nem que estivesse a ser acompanhada pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

Sabe que a criança viveria com a mãe e que neste contexto de pandemia estaria com o pai “há algum tempo”.

Durante a conferência de imprensa, o coordenador da PJ de Leiria destacou ainda a “excelente colaboração da GNR, da Protecção Civil, autarquias, escuteiros e populares, que contribuíram e muito na realização das buscas na tentativa de encontrar a criança”-

Ao nível da investigação, “resulta de uma permanente troca de informação, sobretudo, entre estes dois órgão de polícia criminal (PJ e GNR), noite e dia, com uma análise em tempo real, o que permitiu estabelecer as estratégias”, reforçou Fernando Jordão.

“Sem esse trabalho a PJ não conseguiria recolher informação pertinente e útil para desenvolver o seu trabalho e chegar a este resultado”, acrescentou.

O comandante da GNR de Caldas da Rainha, Diogo Morgado, afirmou que a primeira denúncia do desaparecimento foi feita pelo pai no posto de Peniche, na manhã de quinta-feira.

As buscas contaram com o envolvimento de “mais de 600 elementos activos, numa área de percorrida de sensivelmente de quase 4 mil hectares, palmilhada mais do que uma vez em alguns locais”.

Entre estes elementos estiveram as valências do destacamento de Intervenção de Leiria e binómio, do grupo de intervenção cinotécnico de Lisboa e a equipa de aeronaves remotamente pilotadas da GNR, a PSP, bombeiros, escuteiros e vários civis.




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