Economia

Coronavírus: ameaça para uns, oportunidade para outros

13 fev 2020 11:11

Impactos no sector da pedra, plásticos, moldes e suinicultura

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Produtores de carne de porco estão a exportar cada vez mais para a Ásia
Ricardo Graça/Arquivo

No contexto do coronavírus, há feiras internacionais canceladas, viagens de negócios adiadas e bancos fechados na China. Ao mesmo tempo, admite-se que alguns produtos portugueses, e da região, possam ter mais procura.

As declarações da ministra da Agricultura sobre a epidemia causaram polémica, mas o docente do Politécnico de Leiria Márcio Lopes concorda que não representa apenas uma ameaça para a saúde, também agita a economia e abre oportunidades.

“Pode haver dois factores positivos”, adianta. “A China é o maior consumidor mundial de carne suína e os suinicultores leirienses poderão ser beneficiados se houver uma maior preferência chinesa por carne animal importada da Europa”.

Um outro efeito é possível no sector dos moldes, com o especialista em Economia, Finanças Públicas e Gestão a dar conta de projectos desviados para Portugal – “casos pontuais”, diz – porque os gestores e administradores das multinacionais produtoras de automóveis não estão a viajar para a China.

“Hoje, e cada vez mais, os factores extra-económicos determinam mudanças rápidas nos mercados. E é preciso ter um olhar analítico descomplexado sobre esses fenómenos da realidade social”, refere ao JORNAL DE LEIRIA.

À margem de uma visita à feira de frutas e legumes Fruit Logistica, na Alemanha, a ministra da Agricultura disse que a propagação do coronavírus “até pode ter consequências bastante positivas” para as exportações portuguesas.

“Não tenho dados que me permitam fazer uma avaliação. Atendendo a que é um mercado emergente, em crescimento explosivo, temos de preparar-nos para corresponder à nossa ambição que é reforçar as nossas vendas e equilibrar a nossa balança comercial”, afirmou Maria do Céu Albuquerque, citada pela agência Lusa, lembrando o que já aconteceu no passado: “A Ásia e a China têm um problema de saúde publica, nomeadamente com a peste suína africana, e também isso se veio a demonstrar enquanto um potencial para promover as nossas exportações”.

À boleia das declarações da ministra da Agricultura, o secretário-geral da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, João Bastos, confirmou, à TSF, a leitura de Maria do Céu Albuquerque.

“Esta situação tem acabado por beneficiar um pouco as exportações, porque (…) os chineses neste momento confiam muito na carne importada. Em termos de hábitos de consumo, também temos reparado que se têm alterado, isto no sentido de que cada vez mais os chineses estão a fazer compras online, ou seja, estão a deixar de ir quer ao supermercado quer ao restaurante e estão a procurar mais informação online sobre a origem dos produtos que consomem”, descreveu.

Segundo João Bastos, “tem havido mais encomendas de carne para exportar”, o que o leva a projectar para 2020 um cenário em que será possível, pelo menos, “duplicar as exportações de carne de porco portuguesa para a China”.

Fonte: INE

Os concelhos de Leiria, Batalha e Porto de Mós, juntos, representam 22% da produção nacional de carne de porco, percentagem que sobe para 35% quando se considera o conjunto do distrito de Leiria.

O presidente da Associação de Suinicultores de Leiria aborda o tema com cautela e diz que “todos temos de estar preocupados” com o coronavírus. Ainda assim, David Neves admite que as vendas online “estão a subir vertiginosamente na China” e “os chineses estão a dar preferência aos produtos que vêm de fora, por questões de segura

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