Sociedade

Cinco suspeitos de roubos e agressões a idosos estão a ser julgados em Leiria

30 set 2019 00:00

Uma das vítimas viria a morrer, mas a acusação de homicídio caiu na fase de instrução.

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O Tribunal de Leiria começou hoje a julgar cinco suspeitos de roubo agravado e sequestro agravado, na sequência de alegados assaltos a residências de idosos.

Três dos suspeitos estavam inicialmente acusados do crime de homicídio qualificado, uma vez que uma das vítimas dos assaltos viria a falecer.

No entanto, em sede de inquérito, o juiz de instrução entendeu não pronunciar os arguidos por este crime.

Na primeira sessão de julgamento, a juiz presidente ordenou extrair certidão de um dos suspeitos, que será julgado em processo à parte, uma vez que não é conhecido o seu paradeiro.

Outros dois suspeitos faltaram, tendo o tribunal decretado a respectiva multa. O

s três suspeitos, que se encontram detidos no Estabelecimento Prisional de Leiria, que estiveram presentes remeteram-se ao silêncio.

Durante a manhã duas vítimas relataram ao tribunal os assaltos. O primeiro assalto ocorreu na madrugada do dia 13 de Abril de 2018, no Coimbrão, concelho de Leiria.

A mulher, de 77 anos, contou que se levantou para ir à casa de banho e quando regressou à cama ouviu um barulho. Quando ia fechar a porta do quarto foi agarrada por um dos suspeitos. “Um agarrou-me e deu-me porrada. Disse que queria dinheiro e ouro. Deu-me vários murros no peito e na cabeça bateu com os nós dos dedos. Disseram que me matavam se gritasse”, revelou, referindo que foi amarrado, assim como o seu marido, que era ourives.

Ameaçada e a ser agredida, a mulher confessou onde tinha o ouro e o dinheiro. “O meu marido nunca mais ficou bem. Deixou quase de comer e queixava-se de dores de cabeça. Morreu em dezembro de 2018.”

Outra vítima, uma mulher de 81 anos, também foi assaltada no Coimbrão, a 19 de Julho, e revelou que estava deitada no quarto com o marido, quando ouviu “qualquer coisa” e logo a seguir entraram quatro pessoas encapuçadas. “Um deles só dizia: não se mexam, não gritem. Trazia uma faca e cada um trazia um pau de madeira à cintura. Pediram ouro e dinheiro”, contou.

Com receio do que pudesse acontecer, indicou o local onde tinha o ouro, explicando que o único dinheiro que possuía era pouco e estava na sua carteira.

Insistindo para lhe dar mais dinheiro, a mulher revelou que foi agredida com “um murro na face” e apertaram-lhe o pescoço. “Senti que ia sufocar.” Tanto ela como o marido foram amarrados no final do assalto, antes dos suspeitos abandonarem a casa.

A Polícia Judiciária do Centro deteve quatro homens em Setembro de 2018 por presumível prática de crimes de roubo, sequestro e homicídio, ocorridos desde fevereiro desse ano nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Pombal, Figueira da Foz e Coimbra.

Foi ainda detido, em flagrante delito, um quinto elemento suspeito de integrar o mesmo grupo, que é suspeito de ter agredido violentamente uma mulher de 85 anos durante um assalto, na sua própria casa, numa aldeia próximo de Pombal, que veio a falecer devido aos ferimentos provocados.

"Os elementos do grupo actuavam encapuçados e, por meio de arrombamento de portas ou janelas, usando armas brancas e bastões, penetravam em casas isoladas, habitadas por pessoas idosas, que eram surpreendidas durante a noite, sendo agredidas de forma gratuita e com extrema violência e depois amarradas", refere.

Noutro dos casos, ocorrido em Junho, em Vila Verde, no concelho da Figueira da Foz, "os assaltantes agrediram e torturaram uma das vítimas, durante mais de uma hora e meia, sendo que, dada a gravidade das lesões sofridas, com fractura de crânio e de três costelas, ainda se encontra internada num centro hospitalar sem falar".

Os suspeitos foram detidos durante a Operação Sénior, que abrangeu diversos locais da faixa litoral, entre as cidades da Figueira da Foz e a Marinha Grande.

Na acção policial, foram encontrados e apreendidos vários objetos e documentos correlacionados com os crimes praticados, refere fonte da PJ, acrescentando que, nesta investigação, o grupo está referenciado por 19 assaltos.

A acusação do Ministério Público de Leiria assenta em apenas três roubos. 

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