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Caçadores, uma espécie em vias de extinção
Fotografias: Miguel Bidarra

Sociedade

14 Setembro 2017

Caçadores, uma espécie em vias de extinção

Lazer. A crise, a carga burocrática e até um certo estigma associado à actividade cinegética estão a fazer diminuir o número de caçadores em Portugal. O JORNAL DE LEIRIA foi conhecer as motivações de quem não passa sem disparar.

Apaixonado pelo campo e pelos animais, Simão mal pode esperar pelo dia em que terá idade para caçar. Com apenas 11 anos, este pequeno mochileiro de Leiria é um dos poucos jovens seduzidos pela actividade cinegética. A despesa e a carga burocrática envolvidas, também o estigma associado ao caçador fazem dele próprio uma espécie em vias de extinção.

Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça (Fencaça), explica que há 10 anos havia 200 mil pessoas a caçar. Desde então, o número de caçadores não parou de cair, ano após ano. A época de 2016-2017 foi uma excepção.

No ano passado, cerca de 117 mil tiraram licença anual de caça, mais 1700 do que em 2015-2016. Mas esta inversão prendeu-se mais com razões burocráticas do que com a vontade dos jovens de se dedicarem a esta actividade, salienta Jacinto Amaro, notando que a média de idades dos caçadores portugueses é actualmente de 60 anos.

O presidente passa a esmiuçar. Todos aqueles que têm licença de uso e porte de arma de caça e que têm carta de caçador ficam habilitados a ser caçador. Nestas condições encontram-se mais de 250 mil portugueses. Mas, para exercer efectivamente, cada caçador tem de tirar a licença anual de caça.

Ora, na época passada, foram 117 mil os que o fizeram. Mas este número só foi ligeiramente superior em relação ao ano anterior, por uma questão burocrática. Se ao longo de uma década o caçador não tiver solicitado a licença anual de caça, quando for à PSP renovar a licença de uso e porte de arma, fica obrigado a frequentar um curso para reciclagem de formação, que é pago.

Terá sido por isso, acredita Jacinto Amaro, que mais gente foi tratar da licença anual de caça. Só para não se sujeitarem à formação, aponta o presidente. Além da papelada necessária, e dos custos inerentes, o responsável pela Fencaça enumera outras razões pelas quais a caça tem perdido entusiastas.

Por um lado, os estudos e a entrada no mercado profissional ocupam cada vez mais tempo na vida dos jovens. Depois, a crise económica dissuadiu muitos de ir à caça, quando esta acaba por ser uma actividade lúdica cara (uma despesa média de mil euros por época engloba gastos com veterinários e alimentação para os cães, deslocações, roupas, cartuchos, quotas, entre outras despesas).

Finalmente, no caso do coelho bravo, observou-se também uma diminuição substancial de peças de caça, fruto da doença que afectou a espécie, o que desmotivou alguns caçadores, aponta Jacinto Amaro.

Mais mulheres num mundo de homens

Apesar de a caça ser, por norma, uma actividade mais popular entre os homens, tem vindo a crescer o número de senhoras caçadoras. Elas serão hoje cerca de 5% no conjunto total de caçadores portugueses, estima a Fencaça.

Jacinto Amaro reconhece que até 1986, no que à caça diz respeito, o País estava completamente “desordenado”, “em anarquia”. Caçava-se de tudo e em todo o lado e, volta e meia, entre as multidões que se concentravam a caçar, havia gente que se agredia.

Depois dessa data “criou-se um clima social mais propício à presença também das senhoras”, salienta o presidente da Fencaça. A partir de meados dos anos 80, depois de uma intensa intervenção da Federação, foram constituídas diferentes zonas de caça, que são hoje cerca de 6 mil.

Estas subdividem-se em Zonas de Caça Associativa (dirigidas por clubes ou associações, a quem os sócios pagam quota); Zonas de Caça Turística (onde o empresário comercializa as caçadas e o caçador paga determinado valor por peça); Zonas de Caça Municipal (detidas por municípios, juntas de freguesia, associações florestais e de caçadores, onde se pode caçar a preços mais acessíveis); e Zonas de Caça Nacionais (cuja finalidade passa pelo estudo e pela preservação de espécies emblemáticas).

Instaurado este clima mais “respeitoso”, as senhoras passaram a acompanhar os maridos nas caçadas e a lavar também os seus filhos. Agora, há mulheres que caçam tão bem quanto eles, repara Jacinto Amaro. Não só caça migratória (tordo, pato, rola, etc.), como também caça maior (javali, corso, veado, gambo, etc.), “que exige mais paciência”, ou até a denominada caça menor (coelho, lebre, perdiz, etc.), que implica grande agilidade física, nota o responsável pela Fencaça.

Além disso, salienta Jacinto Amaro, a caça é muito mais do que matar um animal. São as amizades que se fazem em torno da caçada, são o petisco e as noites culturais que muitas vezes se seguem, com programas de fados, exemplifica o presidente. Em tudo isto também as senhoras gostam de participar, nota o dirigente da Fencaça.

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Daniela Franco Sousa
Redacção Daniela Franco Sousa daniela.sousa@jornaldeleiria.pt






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