Sociedade

Arrabalde: uma escola onde as diferenças servem para aprender mais

2 fev 2018 00:00

Quando chegam, muitos não falam uma única palavra em português. São tímidos e pouco participativos. O trabalho que é desenvolvido na escola do Arrabalde tem contribuído para uma maior integração dos alunos estrangeiros.

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Em frente à estátua de bronze do campeão europeu Rui Patrício está uma escola, onde a diferença é também campeã. Dos 61 meninos e meninas que frequentam o 1.º ciclo da escola do Arrabalde, 27 são estrangeiros. Por entre as paredes – algumas a necessitar de alguma intervenção – convivem 12 nacionalidades.

E como se entende uma criança do Uzbequistão com outra da China ou da Venezuela? A língua é de facto uma barreira, mas as brincadeiras e a amizade não têm muros. “Existe uma heterogeneidade racial, cultural, económica e social. É a escola das diferenças”, assume a professora Susana Sousa, admitindo que a riqueza desta multiculturalidade é aproveitada por todos.

A escola pode não estar no topo dos resultados académicos, mas “tem outras competências muito importantes e bastante válidas”, acrescenta Nelson Cardoso, adjunto da Direcção do Agrupamento de Escolas D. Dinis, ao qual pertence o estabelecimento escolar do Arrabalde. E qual a razão de apenas numa escola do 1.º ciclo existirem 27 alunos de origem estrangeira?

Coincidência. “A maioria das pessoas que vem de outros países procura uma casa arrendada e há mais oferta na zona da Nova Leiria. Apesar desse lado pertencer ao Agrupamento de Marrazes, eles vêem esta escola da janela e como há vagas, os pais inscrevem os filhos aqui”, explica Nelson Cardoso.

A escola do Arrabalde não está na primeira escolha da maioria dos pais. A conotação negativa afasta aqueles que conseguem lugar noutros estabelecimentos de ensino. Nelson Cardoso considera que se trata de uma “fama injusta” e de “preconceito”.

Confirmando que os resultados não são de topo, o professor lembra que é quase impossível pedir grandes notas a alunos que não falam nem percebem português. Mas é atendendo às dificuldades que a direcção tem “discriminado de forma positiva” o Arrabalde.

“Temos alocado aqui um grande número de recursos e as crianças têm experiências que noutro lado não teriam”, salienta o responsável, enumerando vários projectos que mobilizam toda a comunidade, como a iniciação à programação, ciências experimentais e música.

“Neste caso, é mais uma forma de integrar todos, porque a música é uma linguagem universal, sem barreiras de comunicação”, salienta Nelson Cardoso, afirmando que a direcção procura “encurtar as diferenças” e possibilitar que “todos tenham a melhor educação e as melhores experiências possíveis”.

Aproveitando o facto de integrarem o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, foi contratada uma professora de língua n&atil

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