Sociedade

Arguido assume ao Tribunal de Leiria que transportou de droga

16 jan 2024 16:02

Homem recebia 500 euros por semana por guardar droga

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O condutor detido no concelho de Pombal, em Março, na posse de droga no valor de quase 600 mil euros, confessou hoje ao colectivo de juízes de Tribunal de Leiria, que transportava produto estupefaciente, negando que comprasse ou vendesse droga.

O arguido, de 46 anos, detido preventivamente, responde por um crime de tráfico de estupefacientes agravado.

O homem explicou que lhe deram uma mala com droga, que seria para guardar e posteriormente entregar a terceira pessoa. “Recebia 500 euros por semana para guardar a droga e mais um extra de 1.000 euros pelo transporte", disse, adiantando que não chegou a receber dinheiro nenhum porque foi detido antes de entregar o produto.

Referindo que não sabia a quantidade de droga que transportava, porque nunca abriu a mala, o homem afirmou que o "dinheiro encontrado era de eventos que fazia”.

Confrontando pelo procurador do Ministério Público com uma balança de precisão, o acusado explicou que a mesma vinha dentro da mala e que nunca procedeu à venda do produto de estupefaciente.

Segundo o despacho de acusação divulgado pela agência Lusa, o Ministério Público (MP) sustenta que, pelo menos desde Novembro de 2022, o suspeito “tomou a resolução de proceder à entrega a terceiros de haxixe e de cocaína, mediante a entrega da respectiva contrapartida monetária”.

Para tal, o homem adquiria o produto estupefaciente junto de fornecedores, “para posterior revenda, a troco de dinheiro e por valor superior àquele que havia despendido”, tendo desde aquele mês feito “diversas movimentações entre Portugal e Espanha com estadias curtas fora do território nacional”.

Na manhã de 31 de Março, quando foi mandado parar e fiscalizado pela Guarda Nacional Republicana (GNR), na Estrada Nacional 109, no concelho de Pombal, o automobilista transportava haxixe “perfazendo o total de 51.878 doses médias individuais diárias”, e cocaína (8.513 doses), além de dois telemóveis, uma balança de precisão, uma faca e 855 euros.

Segundo o despacho de acusação, o suspeito se deslocava com regularidade a Espanha, “onde adquiria, vendia e transportava haxixe e cocaína” a pessoas não identificadas e por valores não apurados, que “posteriormente cedia a terceiros, nomeadamente revendedores/consumidores, mediante contrapartida monetária, por valores superiores ao da aquisição”.

“Tais transações eram, em regra, precedidas de contacto telefónico” através de plataformas informáticas, no caso aplicações de Internet encriptadas, entre o arguido e os seus fornecedores e compradores/consumidores, adianta o despacho de acusação.

Na casa do arguido, numa busca realizada no mesmo dia, foram apreendidos cinco mil euros.

O MP explica que o haxixe que o arguido detinha “tem o valor de mais de 18.467,50 euros”, enquanto a cocaína “o valor comercial de mais de 574 mil euros”, sendo que os dois produtos estupefacientes que eram “destinados à revenda” e o dinheiro proveniente da “atividade de tráfico por si desenvolvida”.

Já o carro que o arguido utilizava “servia para transportar a droga” que transacionava, para “obter proventos económicos, e os telemóveis para efectuar contactos com fornecedores/compradores, enquanto a balança de precisão e a faca apreendidas eram utilizadas para pesar e dividir a droga que alegadamente vendia a terceiros.

Ainda segundo o despacho do MP, na tarde de 30 de Março, um dia antes de ser detido pela GNR, o arguido, quando estava no carro, foi intercetado, na Figueira da Foz (Coimbra), pela Polícia de Segurança Pública, tendo-lhe sido apreendida haxixe suficiente para, “pelo menos, 184 doses médias individuais diárias”.