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Aparições ou visões? Fé... muita fé!
Foto: Santuário de Fátima

Sociedade

18 Maio 2017

Aparições ou visões? Fé... muita fé!

Crentes não deixam que as divisões na interpretação de Fátima, visíveis no seio da Igreja, belisquem a enorme devoção ao Santuário e a Nossa Senhora, como ficou, mais uma vez, provado durante a visita do Papa Francisco

Tentam aproximar-se da Capelinha das Aparições para cumprir a tradição: ajoelhar frente a Nossa Senhora. Mas a multidão compacta que, ao início da tarde do dia 12 já está concentrada no recinto do Santuário, não os deixa aproximar da Capelinha. Ajoelham na mesma.

Depois…depois é uma explosão de emoções. Cumprimentam, um a um, cada companheiro de caminhada, que durante dois dias e duas noites os trouxe de Vila Franca de Xira ao Santuário de Fátima. Os olhos rompem em lágrimas, num choro libertador das emoções acumuladas ao longo da viagem. O turbilhão de sentimentos não deixa indiferente quem está à volta. É assim há 17 anos. Todos os anos, o grupo de amigos, juntase e ruma à Cova da Iria, guiados por Rosa Cavaco, “a mulher do apito” a quem os companheiros tratam por 'generala'.

“Tenho de os pôr na linha. As horas de partida são para cumprir”, brinca a mulher, que, depois das duas primeiras peregrinações feitas no cumprimento de promessas e em que foi “muito apoiada”, fez uma jura a si própria: vir a Fátima, enquanto tiver forças, ajudando outros a fazer essa caminhada. Fá-lo pelos outros, mas também por si. Diz que vem a Fátima “à procura de força para enfrentar as dificuldades”.

E, frisa, têm sido muitas. “Em seis anos enterrei 11 familiares directos. A minha irmã, os meus pais, avós e tios. Fátima tem sido o meu porto de abrigo. Aqui, venho renovar energia para o resto do ano.”

O testemunho de Rosa será comum a muitos daqueles que, por estes dias, encheram o Santuário e as ruas envolventes para participar numa das peregrinações mais marcantes que a Cova da Iria já recebeu.

A presença de Francisco, o Papa do “povo”, como a ele se referiram muitos peregrinos pela atenção que tem dado às “periferias”, e aos mais desfavorecidos da sociedade, e a canonização de Francisco e Jacinta Marto, os dois novos santos da Igreja Católica, fizeram deste um momento “histórico” e “memorável”, como disse o bispo de Leiria-Fátima na mensagem final da peregrinação.

Fátima até pode não nos dizer muito. Podemos até não acreditar nas aparições ou, como parece cada vez mais consensual dizer, nas visões dos três pastorinhos, agora São Francisco Marto e Santa Jacinto Marto, mas é impossível ficar indiferente ao que se viveu e sentiu na Cova da Iria.

Que histórias, que sofrimento e que dores, no corpo e na alma, se escondem por detrás de cada lágrima? Que sonhos por cumprir estão presentes nas preces feitas à Senhora de Fátima? Que fé é essa que move peregrinos a palmilharem dezenas, centenas de quilómetros, até à Cova da Iria, tantas vezes no limite das suas forças físicas, em busca do tal renovar de energia de que falava Rosa Cavaco?

Que fé é essa que faz com um grupo de peregrinos se arraste na 'passadeira das promessas', molhada e fria, uns de joelhos, outros literalmente arrojando-se? Que fé é essa que faz uma mulher, ainda a recuperar de um enfarte, passar horas e horas no recinto do Santuário, para assistir à canonização do Francisco e da “Jacintinha” pelo “querido Papa Francisco”?

“A fé não se explica. Sente- -se”, responde-nos Maria Manuela Esteves, que encontramos junto às grades que delimitam o percurso por onde passou o papamóvel com que Francisco entrou no Santuário, à chegada a Fátima. Vinda de Soure, como faz “quase todos os anos”, assegura que não vem cumprir promessas, mas antes “agradecer à Mãe tudo o que lhe tem dado”.

Foi assim que fez quando terminou os tratamentos de quimioterapia quando teve cancro da mama. “Dei três voltas à Capelinha. Já tinha alguns cabelos pequeninos, mas ainda usava um lenço na cabeça. Na última volta, tirei-o. Foi a última vez que o usei”, conta a mulher, recordando ainda o força que encontrou em Nossa Senhora quando, dois anos antes da sua doença, a filha teve de ser submetida a uma intervenção “muito complicada” à coluna e, depois, foi atingida por uma bactéria.

“Já passei por momentos difíceis, que tenho os enfrentado com um sorriso que vou buscar a Nossa Senhora. Cada vez que choro, sinto que me passa com a mão e me acaricia.”

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Maria Anabela Silva
Redacção Maria Anabela Silva anabela.silva@jornaldeleiria.pt






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