Economia

Alexandre Marto Pereira: “O que faz as pessoas meterem-se num avião e fazer viagens de 20 horas até Fátima é a fé”

17 ago 2017 00:00

Administrador do Fátima Hotels Group, frisa a necessidade de apostar numa comunicação forte que promova toda a região e contribua para aumentar as estadias de turistas.

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Raquel de Sousa Silva

Vendas de dez milhões de euros no comércio, mais receitas na hotelaria e na restauração, investimento em novas unidades… o balanço da visita do Papa Francisco a Fátima ultrapassou as expectativas?

Não diria que ultrapassou, mas sim que encaixou nas melhores expectativas que tínhamos. Todos os hoteleiros esperavam que a taxa de ocupação fosse máxima. Ao contrário do que foi afirmado, não houve especulação generalizada dos preços na hotelaria. Do ponto de vista desta, diria mesmo que o impacto foi limitado, na medida em que todos os anos, no 12 de Maio, a hotelaria esgota. Para 2018, nessa data, também estará completa, o mesmo se esperando para 2019 e 2020. Nesta data, Fátima recebe pelo menos 100 mil pessoas e há apenas 15 mil camas, em toda a cidade e considerando todo o tipo de alojamento. O grande impacto positivo deu-se na organização, que foi impecável, todas as entidades responderam à altura. A experiência é reverberada positivamente e o efeito mediático e de afirmação de Fátima como destino de qualidade para o turismo religioso será fantástico, a médio e longo prazo.

É de esperar um aumento sustentável do número de visitantes a Fátima nos próximos anos?

Sim. Claro que não são apenas dois dias de exposição mediática que fazem com que Fátima se transforme automaticamente num destino sustentável. Há que trabalhar, e esse trabalho passa muito por o governo português aceitar que Fátima é uma grande âncora turística nacional, que tem um impacto positivo muito forte no País; passa por a Região de Turismo assumir Fátima como principal âncora turística de toda a região, sem qualquer tipo de comparação estatística com outro destino do Centro; passa por o município assumir o turismo como a grande actividade do concelho; e passa pelos empresários, que têm de se movimentar, visitar os seus clientes, promover as suas unidades. Cada um deles, ao fazer isto, está na verdade a promover o destino.

É administrador do Fátima Hotels Group, que faz a gestão comercial de dez unidades hoteleiras da cidade. Qual a vantagem de pertencer a esta marca?

A vantagem acontece ao nível da promoção internacional, já que 85% dos hóspedes da hotelaria de Fátima são estrangeiros. Também fazemos promoção interna, mas estamos permanentemente em viagens ao estrangeiro, em feiras… Uma das grandes forças é a capacidade de promoção, que seria impossível para um hotel isolado. Temos uma central de reservas que funciona em horários alargados, com pessoal especializado e qualificado, com sistemas informáticos e tecnologias em que investimos nos últimos anos. A maioria das unidades hoteleiras não poderia ter um departamento de reservas com estes meios. Este tipo de investimento só é possível quando há escala. Outra das vantagens prende-se com as sinergias possíveis pelo facto de se conhecer o stock de todas as unidades hoteleiras agregadas. Se alguém contactar a Fátima Hotels com um pedido para a unidade A e se esta estiver completa, dispomos imediatamente da unidade B ou da C para apresentar. Um operador que nos contacte à procura de uma solução em Fátima faz apenas um contacto e nós apresentamos dez soluções. Isto numa altura em que não há tempo, em que os operadores têm de desenhar operações em tempo recorde, é uma vantagem. Por outro lado, temos desde hotéis mais concorrenciais até unidades mais up scale e até unidades para nichos. Esta amplitude e versatilidade da nossa oferta faz com que muitos operadores olhem para nós como a solução em Fátima.

Na cidade há várias dezenas de hotéis. Por que é que não há mais no grupo?

A Fátima Hotels Group é uma empresa detida pelos hotéis, que são ao mesmo tempo sócios e clientes. Foi crescendo de forma orgânica, naturalmente. Começou com duas unidades, juntaram-se-lhe mais tarde outras duas e de forma muito natural foram-se adicionando unidades. Não fazemos um esforço de vendas para captar mais hotéis. Por outro lado, é preciso ter uma cultura muito aberta para pertencer ao grupo. Tem de haver um nível de confiança muito grande e por forma a que isso aconteça temos sistemas informáticos que permitem que cada uma das administrações dos hotéis fiscalize a actividade do grupo e dos outros hotéis. Portanto, de alguma forma, as unidades estão a abrir os seus livros. Não a forma de operar, que continua a ser independente, nem a sua filosofia de trabalho, na qual não nos imiscuímos – cada hoteleiro manda na sua casa – mas a parte comercial é comum e visível a todos. Nesse sentido, é preciso ter uma visão muito aberta, que não é comum em Portugal, sequer. Por isso esta solução não é facilmente replicável.

Fátima é o 'Altar do Mundo', como a Igreja diz, mas é também um enorme centro de negócios...

 

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