Sociedade

"Admiro-o [António Champalimaud] mais enquanto empresário do que como avô" - Duarte Champalimaud

7 out 2015 00:00

O presidente executivo da GLN, Duarte Champalimaud, defende que a indústria nacional tem de apostar numa marca que lhe permita valorizar-se. Fala da boa fase do sector dos moldes, dos investimentos em curso no grupo da Maceira e do seu processo de internacionalização

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Raquel de Sousa Silva

O estudo Exportar mão-de-obra qualificada a custo zero: quanto perde Portugal com a fuga de cérebros, divulgado recentemente, revela que a saída de jovens qualificados do País em 2011 e 2012 vai custar aos cofres públicos pelo menos 8.800 milhões de euros nos próximos anos. O valor foi calculado somando os custos da formação académica, os impostos e as contribuições à Segurança Social que estas pessoas não pagarão em Portugal. Como vê esta questão?
Eu próprio fui para fora, mas à procura de novas experiências e não por falta de emprego. Parto do princípio de que, em geral, quem quer trabalhar encontra emprego lá fora. Mas sei, já o senti na pele, que um português no estrangeiro é tratado como estrangeiro, não como local, portanto fica muitas vezes com aquilo que os locais não querem. Um dos grandes activos que Portugal tem é a sua capacidade intelectual, o seu know-how.Os nossos recursos, em termos técnicos, estão muito acima da média europeia. A nossa formação é boa, embora, algumas vezes, talvez demasiado teórica. O custo de salários está abaixo da média europeia, o que faz com que a competitividade dos nossos talentos seja muito atractiva lá fora. Uma pessoa que vai para fora não vai ganhar o mesmo que ganha um local, vai sempre ganhar um bocadinho menos, mas mais do que em Portugal.

A emigração é uma inevitabilidade ou uma oportunidade para jovens quadros com ambição de carreira?
Sem estar a fomentar a desertificação de Portugal, penso que só faz bem às pessoas irem para fora ganhar novas experiências. A maior parte acaba por voltar, trazendo novos conhecimentos e habituados a sair do seu ambiente de conforto. O problema não é a saída de talentos, mas sim a incapacidade das nossas empresas em atrair e desenvolver o talento. Isso só se consegue fazer com diferenciação.

Dados do Eurostat revelam que no segundo trimestre deste ano Portugal foi, a par da Letónia e da Polónia, um dos países com a menor taxa de empregos disponíveis, com 0,7%, quando a média da zona euro foi de 1,7%.Por que é que a economia portuguesa continua a não criar empregos suficientes?
A economia portuguesa tem um quadro laboral antigo, desajustado dos tempos e da velocidade da Europa de hoje. Enquanto empregador, sinto que esse quadro laboral cria alguns medos à contratação e não ajuda a promover quem mais se dedica. Por outro lado, assinar um contrato é um risco muito grande porque ficamos 'presos' a uma pessoa que ainda desconhecemos. Na GLN, o que fazemos é recorrer a empresas de trabalho temporário para trabalhadores indiferenciados e depois ficamos com os melhores. Este ano, dos temporários que tínhamos, passámos 37 para os quadros.

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