Saúde

Abaixo-assinado com 1.400 assinaturas reclama médico para Castanheira de Pera

20 jan 2016 00:00

Três mil pessoas estão sem médico no centro de saúde desde Junho de 2015

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 Um abaixo-assinado com 1.479 assinaturas foi enviado a vários organismos públicos no sentido de exigir um médico em permanência para o Centro de Saúde de Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, anunciou hoje um dos seus promotores. 

Filipe Lopo, um dos promotores da petição, explicou que cerca de três mil pessoas estão sem médico no centro de saúde desde Junho de 2015. 

"Houve um médico que entrou de baixa e ninguém o substituiu. A outra médica pediu rescisão de contrato com o centro de saúde, deixando Castanheira de Pera sem auxílio na saúde". 

Segundo Filipe Lopo, após diligências da autarquia deste concelho do norte de distrito, que tem pouco mais de três mil habitantes, foi colocado um clínico "20 horas por semana".

"Não vem atender os três mil utentes, mas apenas um dos ficheiros. De vez em quando aparece um médico para colmatar as falhas. Há pessoas que vão às 4 horas para a porta do centro de saúde para conseguir consulta e nem sempre o conseguem", acrescentou. 

Há também "pessoas com exames médicos feitos à espera de saber os resultados, desde o verão de 2015". 

"Queremos um médico que faça as sete horas diárias. Houve uma proposta para o médico atual ficar mais tempo, sendo as horas extraordinárias pagas pelo município, mas o médico disse que não tinha agenda", lamentou Filipe Lopo. 

Este subscritor referiu ainda que os organismos que tutelam a saúde têm conhecimento da situação. "Já disseram que foi aberto um concurso público, mas dizem que poderá ficar vazio. Isto não é uma escola ou uma tasca. Estamos a falar do acesso à saúde. São três mil pessoas sem médico, número que triplica no verão com a abertura do complexo turístico Praia das Rocas", alertou. 

Filipe Lopo revelou também que, em 2015, houve um protocolo assinado com o Hospital Fundação Nossa Senhora da Guia, em Avelar, Ansião, disponibilizando um médico "entre as 9 e as 18 horas", sendo que "as situações urgentes seriam atendidas neste hospital".

No entanto, esta situação não está concretizada.  Afirmando que não é objetivo avançarem para "medidas mais drásticas", Filipe Lopo admitiu que "não é possível segurar as pessoas", que "começam a querer fazer manifestações". 

O abaixo-assinado, que decorreu em Castanheira de Pera de 24 de Dezembro de 2015 a 12 de Janeiro de 2016, foi enviado para o Presidente da República, primeiro-ministro, ministro da Saúde, Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, os vários grupos parlamentares, comissão parlamentar da Saúde, Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Direção do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte, direção do Centro de Saúde de Castanheira de Pera, presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera, presidente da União de Freguesias do Coentral e de Castanheira de Pera. 

Já no início deste ano, a Câmara de Castanheira de Pera aprovou por unanimidade uma moção que exige um médico permanente no centro de saúde do concelho, garantindo-se assim o acesso da população aos cuidados de saúde.

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