Editorial

Problema das suiniculturas? Não se resolve porque não há vontade

1 out 2020 15:31

Em Portugal, há situações que não se resolvem por mais que se trace planos, faça discursos, dê palmadinhas nas costas e corte fitas

Na região, temos vários casos desses: a vergonha que é o IC2, o pingue-pongue do aeroporto de Monte Real, a Linha do Oeste, as urbanizações “novas” de Leiria, que escoam esgotos para o Lis e cujo tratamento é pago a peso de ouro, mas não é feito.

Esta semana tivemos direito, entre nós, a mais um exemplo dessas situações.

Falou-se e apresentou-se em Leiria uma Estratégia Nacional para os Efluentes Agro-pecuários e Agro- industriais, mas sem se apresentar o que quer que seja em termos de soluções concretas para o problema da poluição da Bacia Hidrográfica do Rio Lis.

Na verdade, parece que, em Lisboa e em alguns locais de Leiria, se acredita que o público é constituído por acéfalos, incapazes de somar 2+2. A suinicultura é um negócio que conta com criadores responsáveis (muito poucos) e, se seguisse as regras, poderia ser uma mais-valia para a região. Mas não o é.

O custo ambiental é de tal maneira grande que os próprios suinicultores chegaram à conclusão que o total do dinheiro ganho a vender carne de porco seria insuficiente para construir e gerir uma Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas.

Apenas assim se explica que a Associação de Suinicultores de Leiria não tenha construído a tal solução milagrosa de tratamento, perdendo apoios públicos ao deixar passar prazos. Não foi incompetência, foi deliberado.

A solução? Pedir ao contribuinte que pague para resolver o problema de um sector que não é sustentável.

David Neves, presidente da Associação de Suinicultores de Leiria, que não soube ou não quis resolver o problema da poluição “constatou que, na estratégia apresentada ‘não há nenhuma orientação’ sobre a ETES, que há dois anos foi assumida pelos Ministérios do Ambiente e da Agricultura.

Já o secretário de Estado da Agricultura, Nuno Russo, discurso e respondeu às perguntas dos jornalistas, mas nada disse sobre o assunto, e as forças políticas que, durante décadas não resolveram e até permitiram o agudizar da situação quando estavam no poder, gritaram e espernearam, reivindicando o que também não souberam ou quiseram fazer.

A solução obviamente não é fácil. Mas, há já muito tempo que está na hora de a sociedade civil começar a penalizar quem nos rouba o direito a um ambiente limpo e a penalizar quem compactua com estas situações.

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