Opinião
Precisamos de espelhos!
A sabedoria dos tiktoks é zero, mas passamos horas atrás de um ecrã
É típico só lá irmos após desastres naturais, mas afinal nem assim lavamos e aprendemos, de facto, lições fundamentais que, em poucos anos, vamos, inevitavelmente, voltar a aprender quando acontecer a próxima Kristin ou o próximo Pedrógão.
Faça chuva ou faça sol, a nossa compreensão e análise teimam em não conseguir processar o que é mais elementar e que nem sequer é necessário ter um curso superior para perceber.
Não somos consequentes, uma comédia à portuguesa.
A sabedoria popular, de quem está atento a olhar para o território é valorosa.
A sabedoria dos tiktoks é zero, mas passamos horas atrás de um ecrã.
Preferimos chutar a bola para a frente, pois, imagine-se, isso nem sequer dá votos e a lógica é quase que apenas construir ou deixar construir onde se apetece.
Quando acontece ficamos surpreendidos, mas afinal nem sequer fizemos planos para que quando acontecer, o socorro, a mitigação e resolução dos problemas seja mais rápida.
É mais fácil aparecer de carro para as fotografias e dizer que estamos a resolver os problemas e que tudo irá correr bem.
Os anos têm o dom de mostrar que não corre bem.
Teimamos em ignorar que se construirmos em leito de cheia, a água um dia irá reclamar o que é seu por direito.
Achamos que aquela conversa de uma barragem que nunca foi feita é que iria resolver o que afinal não resolveria.
Somos muito falantes, mas na hora de precaver e de nos mobilizarmos antes do desastre, não avançamos, ficamo-nos pelas intenções.
Mas quando o desastre acontece, aí já nos mexemos e apontamos culpas.
O Dia da Árvore está a chegar e este ano são muito menos árvores para celebrar, pois o vento levou muitas delas.
E mesmo assim tem sido comum dizer que as árvores são para cortar todas, pois são um perigo.
Estes génios descobriram a fórmula mágica para abater árvores que, estando em condições, são para abater com a desculpa do costume, a de que são um perigo para nós.
Falta-nos é um espelho, daqueles grandes, para vermos que afinal o perigo está à nossa frente.