Opinião
Para onde vamos?
E eis que surge, a partir do Politécnico, mais um “pólo” da Universidade de Leiria e Oeste, em Torres Vedras, o “fait divers”
Meu Caro Zé,
No meio das arrumações encontrei um fax teu do início de dezembro de 1996, ou seja, há 30 (!) anos, em que me fazias perguntas sobre a “região de Leiria” no sentido de obter uma visão na “passagem do 3º milénio”.
Estou na praia, em agosto, 30 anos depois, e não resisto a citar algumas perguntas e respostas.
À primeira, relativa à evolução da “região de Leiria” sobre o seu desenvolvimento industrial e comercial, respondi que preferia a expressão “desenvolvimento económico” e acrescentei “social”, como manifestação de desejo meu.
E, reconhecendo que “a região de Leiria (e há que saber bem o que isso é) tem tido crescimento relevante na indústria e nos serviços, há que assegurar que tal continuará a fazer-se com base nas capacidades locais, com orientação estratégica minimamente centrada na região, sem embargo das contribuições externas…, com atenção particular ao bem-estar das pessoas, ao respeito pelo ambiente e a uma equilibrada repartição dos rendimentos gerados”.
A 5ª pergunta referia ao papel do “ensino superior e técnico-profissional como catalisadores do desenvolvimento regional”, trazendo-me para o presente, num interessante triângulo que incorpora a criação recente da Universidade, a definição de região e, do conjunto das duas, como “fait divers”, para dar um ar de “silly season” (se ainda faz sentido!).
A minha abordagem, foi uma pergunta: “Não será de pensar, e isso sim, seria inovador, como criar uma Universidade da Alta Estremadura (ou outra designação apropriada), que fosse uma espécie de federação, …, que embora descentralizada, fosse coerente estrategicamente?”.
E eis que surge, a partir do Politécnico, mais um “pólo” da Universidade de Leiria e Oeste, em Torres Vedras, o “fait divers”.
O Torreense fez parte da Associação de Futebol de Leiria até 1955, ano em que, subindo à 1ª Divisão Nacional, foi aceite na de Lisboa que, até aí, tinha recusado a sua inscrição (os tempos não mudam assim tanto). E, agora, Leiria “saca”, em “vingança”, Torres Vedras para a nossa região, pelo menos universitária, de “Leiria e Oeste”, muito próximo do que seria, antigamente, a Alta Estremadura, que abarcava os distritos de Leiria, Lisboa e Setúbal.
Respondi à última pergunta: “O que é que Leiria pode esperar de ti?”: Sou um “emigrante” atento ao que se passa na região e é essa atenção e o desassombro de opiniões descomprometidas (porventura também por isso desenraizadas e menos lúcidas) que continuarei a dar…”.
Até sempre
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990