Sociedade
Reposição total de energia em Leiria ainda sem data definida. Água deverá regressar amanhã a algumas zonas
Apesar de alguns pontos específicos já terem energia, são situações pontuais e beneficiam de unidades móveis para abastecer "infra-estruturas nevrálgicas"
Ainda não há uma data prevista para a reposição do fornecimento de energia eléctrica no concelho de Leiria, apesar de em alguns pontos específicos, localizados junto a infra-estruturas nevrálgicas, como bombeiros e unidades de saúde, já haver electricidade.
Em relação ao abastecimento de água, a previsão dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) é que amanhã de manhã seja possível restabelecer o fornecimento na cidade e em algumas freguesias. Nas restantes, estão a ser preparados pontos de distribuição de água à população.
As informações foram prestadas ao início da noite, numa conferência de imprensa, onde o presidente da câmara, Gonçalo Lopes, reconheceu que o restabelecimento de energia "é a prioridade das prioridades", mas as dificuldades "têm sido extremas", porque "há muitas torres de alta e média tensão derrubadas".
Segundo Luís Lopes, vereador da Protecção Civil, a eRedes está a ligar unidades móveis a postos de transformação (PT), colocadas junto a infra-estruturas nevrálgicas, que permitem também servir os quarteirões envolventes. "Não significa com isso que seja a rede como um todo a funcionar e que estrutura já esteja em carga, porque isso não está a acontecer ainda", esclareceu.
Já no que respeita ao abastecimento de água, Ricardo Gomes, administrador-delegado dos SMAS, adiantou que "é expectável que, no início da próxima manhã, exista água em algumas zonas como Pousos, São Romão, Guimarota, Andrinos, Vale da Fonte, Sampaio, Gândara, cidade, Ervedeira, Quartel, Telheiro, Casal dos Claros, Coimbrão, Amor, Arrabal e Janardo”.
O dirigente explicou que a reposição de água nestes pontos será possível graças à instalação de geradores nos reservatórios. Já nas zonas "mais afastadas", o fornecimento vai ser "um pouco mais tardio, mas estão a ser preparados pontos onde a população de possa abastecer", avançou Ricardo Gomes.
A vereadora da Educação fez também o ponto da situação em relação à situação das escolas. Segundo Anabela Graça, os casos "mais graves" são os das EB 2,3 D. Dinis, a EBI 2,3 de Colmeias e a EB 2,3 e Secundária Henrique Sommer, na Maceira, que apresentam danos "estruturais", que exigem "obras profundas", nomeadamente, ao nível da cobertura e janelas.
Já a Escola Secundária Afonso Lopes Vieira tem problemas no refeitório, enquanto muitas escolas do 1.º ciclo e jardins de infância apresentam danos cuja reparação exige "trabalhos demorados, não sendo, para já, possível saber que escolas estarão operacionais na segunda-feira".
De acordo com informação prestada pela vereadora, amanhã será feita uma nova reunião com os directores das escolas e presidentes de junta para avaliar a evolução dos trabalhos e "ver quantas poderão ou não reabrir" no caso de existirem condições básicas necessárias, como água e electricidade. Esse ponto da situação será também feito com a Parque Escolar, em relação às Escolas Secundárias Domingos Sequeira e Francisco Rodrigues Lobo, avançou Anabela Graça.
Chuva alivia amanhã, mas voltará
No encontro com os jornalistas, Luís Lopes manifestou ainda apreensão face às previsões metereológicas para os próximos dias. Amanhã, até à hora do almoço, prevê-se "uma redução da precipitação, o que é extremamente importante para os trabalhos que estão a decorrer", mas a chuva regressará e, a meio da próxima semana, deverá haver "um incremento vento, que poderá atingir velocidades médias de 40 a 50 quilómetros por hora". Esta situação traz preocupações acrescidas, já que "vai ser completamente impossível estabilizar as infra-estruturas todas até à próxima semana", assumiu o vereador.
Outro foco de preocupação é a subida do caudal dos rios Lis e Lena, que já provocou galgamentos na cidade e nas freguesias mais rurais, reconheceu o vereador da Protecção Civil, assegurando que a situação está a ser "monitorizada".