Sociedade
Porto de Mós inaugura obras de centro de saúde e pede mais três médicos
Obras de remodelação custaram 1,3 milhões de euros, financiadas pelo PRR (900 mil) e pelo município
Um dia depois de concluído o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a ministra da Saúde esteve, na terça- -feira, em Porto de Mós para inaugurar as obras de requalificação do centro de saúde, financiadas através deste pacote de investimento. Foi, disse o presidente da câmara, Jorge Vala, “um dia muito importante para o concelho”.
Satisfeito pela melhoria das condições do edifício, construído há quase 30 anos, o autarca deixou, no entanto, recados para a ministra e para os representantes da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria (ULSRL).
Jorge Vala reclamou a colocação de três médicos de família em falta no concelho, para dar cobertura às cerca de 3.500 pessoas sem clínico atribuído, e o cumprimento do acordo de descentralização, que previa a manutenção dos pólos de saúde de Alqueidão da Serra e de Arrimal/Mendiga, entretanto encerrados.
“Falamos de populações extremamente envelhecidas, com dificuldades de mobilidade e reduzida oferta de transportes públicos”, frisou Jorge Vala que, neste ponto, deixou críticas à Unidade de Saúde Familiar Aire e Candeeiros, cujos profissionais decidiram “não ter em conta este acordo firmado” entre a tutela e o município. “Alguns entenderam ser mais fácil deslocar cerca de 1.700 cidadãos ao centro de saúde do que serem três profissionais [médico, enfermeiro e administrativo] a deslocarem-se duas ou três vezes por semana ao pólo de cada freguesia”, apontou.
“Não deixaremos de atender às necessidades de cada utente, mas temos de ser realistas e verdadeiros e dosear as expectativas”, respondeu a ministra Ana Paula Martins, frisando que “não é apenas uma questão de deslocar pessoas”, mas de assegurar que há condições para funcionarem em equipa.
Já quanto à supressão dos médicos em falta, o presidente da ULSRL, Manuel José Carvalho, adiantou que a previsão é que no concurso do próximo ano esses lugares sejam preenchidos. Entretanto, há duas clínicas reformadas que, através do programa Bata Branca, estão a assegurar serviços médicos na Unidade de Saúde Familiar Novos Horizontes, que, recentemente, ficou sem duas profissionais.
Manuel José Carvalho lembrou ainda que, em Janeiro de 2025, quando a sua equipa iniciou funções, havia 120 mil utentes sem médico de família. Hoje, são “cerca de 35 mil”, número que, em grande parte, se deve à inscrição de novos utentes, que rondam “os nove mil por mês”.
O dirigente destacou também a colocação de 59 médicos de medicina geral e familiar, em 2025 e 2026, o que faz desta a ULS com “mais colocações” nos dois últimos concursos nacionais.