Viver
Palavra de Honra | “Não há paciência para o 'queixismo' português”
Irene Cordeiro, professora
Já não há paciência… para o “queixismo” português imobilista: o emprego, o patrão, o sistema, o país - sempre motivos para lamentar, mas sem a coragem de tomar as rédeas da própria vida e mudar de facto o que está ao alcance de mudar.
Detesto… ver colchões, móveis e lixo abandonados na via pública, como se a rua fosse o esconderijo do que não queremos ver. Produzimos demasiado lixo e estamos a falhar na educação ambiental e na recolha e tratamento de resíduos.
A ideia… de uma vida ligada à terra e ao que ela produz, ao ritmo das estações e da natureza, atrai-me cada vez mais — um regresso ao essencial.
Questiono-me se… existirá uma vacina que previna esta pandemia de racismo, xenofobia e homofobia que tanta gente vomita nas redes e na vida, sem pudor nem consciência do mal que faz.
Adoro… andar pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros à descoberta de orquídeas e flores raras, a sentir o cheiro da pimenteira e do alecrim. Felicidade total.
Lembro-me tantas vezes… de momentos da minha infância, dos valores e ensinamentos dos meus pais e avós, que moldaram quem sou hoje e aos quais serei sempre grata.
Desejo secretamente… poder decidir quando e como vou morrer. O sofrimento, mais do que a morte, assusta-me - o meu e o dos que amo.
Tenho saudades… de momentos vividos, de gente que amo, de lugares por esse mundo fora onde fui feliz, de sabores, de cheiros - as saudades são multissensoriais.
O medo que tive… quando emigrei aos 45 anos e recomecei do zero, num local onde não conhecia ninguém e não tinha emprego.
Sinto vergonha alheia… da política portuguesa e da corrupção que se tornou quase normal - já não escandaliza ninguém, só cansa e alimenta a resignação de quem devia exigir contas.
O futuro… é saborear o agora e os que ainda cá estão, mas também alimentar sonhos e projectos. O que é a vida sem nada a almejar.
Se eu encontrar… algo que me acrescente, saberei reconhecê-lo.
Prometo… tentar passar menos tempo nos écrans.
Tenho orgulho… do que sou hoje - a melhor versão de mim própria, resultado dos erros e dos acertos da minha vida. À espera do próximo upgrade!