DEPRESSÃO KRISTIN
Pinhal de Leiria: há povoamentos adultos afectados em mais de 90%, diz ICNF
Remoção de madeira, desimpedimento de estradas e estabilização de emergência pós-catástrofe estão a ocupar as equipas do ICNF na Mata Nacional de Leiria
Uma parte substancial dos 1.200 hectares de povoamentos florestais adultos da Mata Nacional de Leiria (MNL) foi afectada em mais de 90% pela passagem da depressão Kristin, com danos igualmente em infraestruturas de apoio à gestão, avança o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Na sequência da tempestade, diz o organismo que gere o Pinhal de Leiria, localizado inteiramente no concelho da Marinha Grande, foram accionados de imediato mecanismos para apoio às populações, desobstrução de vias florestais de comunicação e acções de estabilização de emergência pós-catástrofe.
“Foi já assegurado o desimpedimento das principais rodovias que atravessam a MNL, mantendo-se algumas estradas florestais com acesso condicionado”, adianta o ICNF, situação que o JORNAL DE LEIRIA confirmou no terreno.
A remoção de material lenhoso danificado é considerada “imprescindível” na “primeira fase” do processo que se segue e o ICNF avisa que “a recuperação dos ecossistemas naturais é um processo de médio a longo prazo, que decorrerá ao longo dos próximos anos”.
“A quantificação exacta dos povoamentos afectados apenas será possível após a conclusão dos trabalhos de campo, trabalhos esses também sujeitos às limitações decorrentes das condições meteorológicas que se verificaram”, é referido na resposta enviada ao JORNAL DE LEIRIA.
De acordo com o ICNF, “a esmagadora maioria da área intervencionada na recuperação da MNL após o incêndio de 2017 não foi afectada pela depressão Kristin”.
No entanto, muito do que não ardeu em 2017 tombou em 2026. A depressão Kristin deixa um cenário de devastação na Mata Nacional de Leiria, com milhares de pinheiros destruídos ou arrancados pela raiz, incluindo, algumas das árvores mais antigas, que resistiram a tudo nas últimas décadas, mas não à força do vento na madrugada de 28 de Janeiro.
Uma das árvores que o mau tempo deitou por terra é o “Eucalipto do Tremelgo”, um exemplar com mais de 165 anos e 53 metros de altura. Conhecido como “Gigante do Tremelho”, era considerada uma árvore de interesse público.
Na zona do Tremelgo, outras árvores de grande porte caíram e o parque de merendas está bastante danificado.
Pelo contrário, mantém-se de pé, mesmo danificado, o conjunto de cipestres dos pântanos (ou taxódios) no parque de merendas da Garcia, únicos exemplares da espécie na Mata Nacional de Leiria que sobreviveram ao incêndio de 2017 – também classificados como arvoredo de interesse público, têm mais de 100 anos e uma altura acima dos 30 metros.
Vários talhões que escaparam ao grande incêndio de 2017, sendo alguns deles dos núcleos com mais idade actualmente, foram arrasados pelo mau tempo associado à depressão Kristin.
As equipas do ICNF estiveram no terreno logo desde os primeiros dias e actualmente continuam a proceder à avaliação dos danos, identificação de riscos que ainda se mantenham e definição de medidas de estabilização e recuperação necessárias.
“Mantêm-se ainda em execução por parte do ICNF as actividades prioritárias dirigidas à segurança de pessoas e bens, estabilização de solos e prevenção de riscos ambientais adicionais, em articulação com a autarquia, outras entidades e agentes de protecção civil”, garante o instituto.
“O ICNF procede diariamente à monitorização das zonas afectadas na MNL, atentos ao potencial de risco existente, designadamente no que respeita à queda de ramos em zonas mais expostas ao vento”, é referido na mesma nota.
A recuperação da MNL será faseada e baseada nos resultados das avaliações em curso, respeitando os ciclos naturais e a resposta do ecossistema, sendo a remoção de material lenhoso danificado a primeira fase imprescindível deste processo, ainda de acordo com o ICNF, paralelamente ao qual será mantido o Plano de Controlo de Espécies Exóticas Invasoras Lenhosas.