Viver
Palavra de Honra | A democracia deve alavancar o confronto de ideias, não normalizar a intolerância
Axel Vala, produtor
Já não há paciência… para fascistas. Os discursos sustentados pelo ódio e pela exclusão, para além de não serem novidade, não resolvem problemas. A democracia deve alavancar o confronto de ideias, não normalizar a intolerância. Já não há paciência para pastilhas elásticas no chão da calçada, que se colam à sola da sapatilha e nos obrigam a posições impraticáveis para as retirar.
Detesto… trailers. Ao invés de impulsionarem o interesse, condensam o filme num curto espaço de tempo. Detesto pessoas que passam o concerto inteiro com o braço a servir de tripé para telemóvel.
A ideia… não era estarmos sempre a matar-nos uns aos outros. A ideia de comer um pastel de nata à colher causa-me calafrios.
Questiono-me se… os pombos são robôs cujo único propósito é filmar e vigiar as pessoas. Questiono-me também se as pessoas se apercebem do quão egoístas são.
Adoro… cinema, Kubrick, Lynch e Villeneuve. Adoro música, System of a Down, Deftones e Korn, livros de arquitectura e biografias. Adoro ser produtor.
Lembro-me tantas vezes… do meu avô. Da sua presença, que, enquanto criança, sempre dei como garantida. Quando damos algo, alguém, por garantido, não damos o devido valor. Ironicamente, talvez tenha sido essa a minha maior aprendizagem com ele. Também me lembro das tarefas que deixei pendentes. Depois volto a esquecer-me.
Desejo secretamente… que as salas de cinema se mantenham e não se deixem engolir pelas plataformas streaming. Mas isso depende das pessoas. Por favor, continuem a ir ao cinema.
Tenho saudades… do meu avô. Das bugigangas que tinha penduradas e coladas no interior do seu carro. Da reação dele sempre que eu chutava a bola contra o portão da garagem. Da coleção de cassetes do Marco Paulo e do seu paladar confuso, no jantar de natal, que o fazia acreditar que “o cabrito está muito bom” quando comia bacalhau.
O medo que tive… na pandemia, que o regresso à normalidade fosse uma utopia. O facto de estarmos tanto tempo fechados em casa levou-me a questionar muita coisa. Inclusive a possibilidade do regresso à normalidade. E esse pensamento era mesmo utópico, porque o egoísmo das pessoas se acentuou e as relações humanas se alteraram. Não voltámos à nossa normalidade, apenas se normalizou um quotidiano diferente. O medo que tive… de achar que pensava demasiado.
Sinto vergonha alheia… de quem expele o catarro para o chão quase com tanta frequência e normalidade como respira. Sinto vergonha alheia de quem relembra regimes autoritários com saudosismo. Relembrá-los com saudosismo é ignorar a repressão, a censura e a perda de liberdade. Os erros cometidos ao longo da história devem ser lembrados, sim, mas não romantizados. Porque a democracia fortalece-se através da aprendizagem que estes erros trazem, não através da repetição dos mesmos.
O futuro… é de quem cá ficar. O futuro marcado pela inteligência artificial é assustador. Não existe um equilíbrio entre o avanço tecnológico e a valorização das capacidades humanas, porque esse avanço cresce às custas dessas capacidades.
Se eu encontrar… um pote cheio de ouro no fim do arco-íris, não é do Leprechaun, é meu. Se encontrar uma esplanada porreira, num dia de verão, vou sentar-me para beber uma cerveja.
Prometo… é uma palavra que está demasiado presente no vocabulário de muitos mentirosos.
Tenho orgulho… no pequeno-almoço português. Um café e um cigarro. E nas conquistas daqueles que me são próximos.