Sociedade
Onda de solidariedade une quem precisa e quem quer ajudar junto ao estádio
Porta 10 do estádio e zona envolvente transformada numa "plataforma de solidariedade"
Uma verdadeira plataforma de solidariedade. Assim, está transformada a zona da porta 10 do estádio municipal de Leiria. De um lado, entregam-se cobertores, água, bens alimentares e produtos de higiene. Do outro, recebe-se e agradece-se. Há ainda quem se encaminhe para a fila de entrega de telhas, levando na mão peças partidos para identificar o modelo.
A fazer a ligação, estão presentes voluntários, alguns vindos de fóruns de Leiria, movidos pela vontade de ajudar. É o caso de Wilson Soler, de Lisboa, que o JORNAL DE LEIRIA conheceu ontem ao final da tarde deste sábado. Conta que, estava no ginásio, a fazer passadeira e que viu as imagens que estavam a passar na televisão da destruição derrotada pela depressão Kristin.
Terminei o treino e coloquei o caminho. À medida que se aproximava de Leiria foi percebendo que a dimensão dos estrados era “bem maior do que parecia na televisão”. "O cenário que vi é completamente surreal. Fiquei arrepiado", confessa Wilson, diretor de tecnologia, que se apresentou junto ao estádio, disponibilizando-se para o que fosse preciso. Indicaram-lhe que ficasse no ponto de recolha e armazenamento de bens. É aí que se dirige Sara Gonçalves, que veio do Porto trazer bens que colocaram na sede Livre, com apoio da comunidade. Trouxeram, ela e um colega, água, comida e lonas.
Já Samuel Menezes e Álvaro Prado vieram de Torres Vedras, integrados num grupo com cerca de 15 pessoas dos Desbravadores, uma organização ligada à Igreja Adventista. "Ninguém pode ficar indeferente a esta realidade. Hoje, ajudamos, manhã podemos ser nós a precisar", alegam os dois jovens, entre uma pausa na tarefa que lhes foi atribuída de descarregar carros e separar os materiais.
À saída da fila para encontrar bens alimentares, encontramos Simone Silva, cuja casa, localizada no Azabujo, Pousos, ficou sem parte do telhado. Foi, juntamente com o marido e o filho de sete meses, acolhida em casa de amigos e deslocou-se ao centro de apoio junto ao estágio para levantar alguns bens, entre os quais, leite, fraldas e produtos de higiene. "Estou muito grato", afirma.
A onda de solidariedade, que chegou de pontos do País, foi tal que, a meio da tarde de ontem, a câmara pediu para que não fossem doados mais alimentos, uma vez que todas as várias necessidades já foram "largamente suprimidas". Continuam ainda a ser necessarias lonas e telhas, bem como materiais de limpeza, nomeadamente baldes, vassouras, esfregonas e pás, assim como produtos de higiene, como desodorizantes, sabonetes e papel higiénica (packs pequenos). Devem ser entregues junto à porta 10 do estádio.