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Leonardo Pinto: o mundo cabe em thispage e há disco novo na forja
Natural de Pombal, prepara um segundo álbum e soma um projecto de animação com expressão nas redes sociais e uma residência artística ao lado de Rui Reininho
Aos cinco anos, enquanto a maioria das crianças ainda ensaiava as primeiras canções da infância, Leonardo Pinto começava a ter aulas de canto. Frequentou-as até aos nove anos, numa aprendizagem que hoje reconhece como o primeiro passo de um percurso artístico que dificilmente caberia numa única disciplina. Canta, compõe, desenha, anima, realiza pequenos filmes e cria personagens. Tem apenas 18 anos, mas já soma um primeiro álbum, um projecto de animação com expressão nas redes sociais, uma residência artística ao lado de Rui Reininho e um segundo disco prestes a chegar.
Natural de Pombal, cresceu numa família onde a arte nunca foi uma estranha. Os pais, ambos ligados ao meio artístico, alimentaram desde cedo uma curiosidade que rapidamente se transformou em necessidade de criar. A música acabaria por assumir o lugar central desse universo, mas nunca de forma exclusiva.
Em paralelo com o projecto musical thispage, desenvolve Samuel e Ricardo, uma série de animação publicada no TikTok, onde o humor absurdo e o desenho convivem com o mesmo imaginário peculiar que atravessa as suas composições.
Foi precisamente essa liberdade criativa que deu origem a thispage, um projecto que recusa rótulos fáceis. Entre o indie folk, o lo-fi, o rock alternativo e uma evidente inclinação experimental, Leonardo assume influências tão distintas como Tom Waits, The Microphones, Bill Callahan, Swans ou o português Tó Trips.
Mais do que reproduzir referências, procura construir uma identidade própria, feita de canções intimistas, texturas sonoras e uma escrita que privilegia a atmosfera em detrimento da fórmula.
O primeiro álbum, Nothingness, nasceu quase por impulso. Durante duas semanas fechou-se para gravar praticamente tudo sozinho. O objectivo era claro: chegar ao Festival Ti Milha com discos e merchandising prontos para venda. “Foi intenso e stressante”, recorda.
O desafio tinha uma data limite e obrigou-o a descobrir, em pouco tempo, o que significa escrever, gravar, produzir e terminar um disco praticamente sem ajuda. Entretanto, o projecto começou a ganhar dimensão.
Depois de participar na primeira edição da residência artística Omnilab, promovida pela Omnichord Records, foi precisamente desse círculo de jovens músicos que nasceram muitas das cumplicidades que hoje levam thispage aos palcos.
Embora o projecto possa apresentar-se a solo, em duo, quarteto ou numa formação de seis elementos, Leonardo não esconde a preferência: “É muito mais divertido tocar com banda.” Foi também em palco que assinalou a entrada na maioridade, celebrando os 18 anos durante a actuação no Festival A Porta, em Leiria.
O reconhecimento consolidou-se com a presença entre os finalistas do Festival Termómetro, uma das principais montras nacionais para novos talentos, e com o convite para integrar a residência artística 4.ª Parede, em Pombal, ao lado de Rui Reininho.
Durante vários dias, ambos trabalharam na criação de temas inéditos, num projecto que contou ainda com a participação da cantora Rita Braga. O resultado será editado em disco e transformado num programa televisivo com transmissão prevista na RTP.
Agora prepara o segundo trabalho discográfico. Ainda sem título, deverá ser editado em Outubro e representa uma mudança de abordagem. Se Nothingness foi quase um exercício solitário, o novo álbum nasce assumidamente colectivo. A produção está a cargo de Rui Gaspar, da Casota Collective, e junta músicos como Leonel Mendrix, conhecido artisticamente como Rapaz Improvisado, que Leonardo descreve como “mentor e uma grande inspiração”, além de Joel Madeira, no contrabaixo, e outros convidados no acordeão, violino e saxofone.
Também as paisagens mudaram. Grande parte da inspiração para o novo disco nasceu nas caminhadas pela serra de Sicó, entre pedreiras e pequenos lagos temporários formados pela água da chuva. Um território silencioso e agreste que acabou por moldar o ambiente sonoro destas novas canções.
Em Setembro, Leonardo Pinto inicia outra etapa: entra na Universidade Lusófona, em Lisboa, onde vai estudar Animação Digital como bolseiro. A mudança de cidade não altera, para já, a convicção de que continuará a dividir o tempo entre diferentes formas de expressão artística.
Quanto ao futuro, prefere não fazer grandes planos. Sabe que viver exclusivamente da música em Portugal está longe de ser simples. “Provavelmente acabarei a dar aulas e estou perfeitamente na boa com isso”, diz, sem dramatismos.
Aos 18 anos, Leonardo Pinto já gravou um disco, prepara o segundo, trabalhou ao lado de Rui Reininho e começa agora uma licenciatura em Animação Digital. Mas continua a falar do futuro sem grandiloquência. Talvez porque, mais do que perseguir uma carreira, parece movido por uma necessidade constante de criar. E essa, ao contrário da idade, não se mede em anos.