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Fontes Sonoras de volta à aldeia do Lis com Gil Delindro, Matilde Meireles e Kathy Hinde

26 jan 2026 09:44

Novo ciclo de residências com artistas nacionais e internacionais

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Gil Delindro é o primeiro criador a intervir na temporada de 2026
Paulo Soares

O projecto dedicado à escuta e à criação sonora em diálogo com o território e a comunidade da aldeia das Fontes, em Leiria, conta este ano com os artistas portugueses Gil Delindro e Matilde Meireles e com a britânica Kathy Hinde.

O ciclo de residências, com curadoria de Raquel Castro e direcção artística de Gui Garrido, começa no final de Fevereiro e decorre até Novembro.

Esta é a segunda edição do Fontes Sonoras, que em 2025 levou às Fontes o austríaco Andreas Trobollowitsch e as duplas Inês Tartaruga Água e Xavier Paes e Rie Nakajima e Pierre Berthet.

Gil Delindro, segundo a Omnichord, que organiza o Fontes Sonoras, é um dos nomes portugueses com maior reconhecimento internacional na área da arte sonora e no cruzamento entre som, escultura e ecologia. A residência decorre entre 22 de Fevereiro e 1 de Março e culmina com uma apresentação pública no dia 1 de Março.

Ainda de acordo com a Omnichord, a prática artística de Gil Delindro tem-se centrado, ao longo da última década, na pesquisa de campo e na leitura crítica da paisagem, explorando temas como biodiversidade, ecologia e políticas territoriais.

“No contexto do Fontes Sonoras, o artista dará continuidade a uma linha de trabalho recente relacionada com as políticas de florestação nacional e as formas de resiliência face aos incêndios florestais. A proposta passa pela criação de uma peça escultórica de arte sonora, construída a partir de materiais orgânicos recolhidos localmente, que se afirmam através da sua sonoridade em tempo real. A obra será entendida como um dispositivo sensível e site-specific, aberto às características do território e ao tempo limitado da residência”, lê-se na nota de divulgação.

“A região de Leiria, profundamente marcada pelos incêndios florestais da última década, em particular o de 2017 que afetou gravemente o Pinhal de Leiria, surge como um contexto central para esta investigação artística. Através do som e da escultura, o trabalho de Gil Delindro propõe-se contribuir para uma reflexão partilhada sobre a transformação da paisagem florestal, a valorização de espécies autóctones e os modos como nos relacionamos com o território”, é referido no mesmo texto.

Acompanhando diferentes estações – Inverno, Primavera e Outono –, o Fontes Sonoras convida artistas a explorar o som como ferramenta de leitura da paisagem, da ecologia e das relações entre humano e ambiente.

Entre 12 e 19 de Abril, a aldeia de Fontes recebe Matilde Meireles, artista sonora portuguesa cuja prática cruza escuta profunda, composição e investigação sobre memória, território e percepção sonora.

A fechar a temporada de 2026, entre 25 de Outubro e 1 de Novembro, o projecto acolhe Kathy Hinde, artista e compositora britânica cujo trabalho explora fenómenos naturais, sistemas ecológicos e processos colaborativos entre humanos e não-humanos.