Sociedade

“Foi pânico, mesmo”. O telhado levantou e eles protegeram-se debaixo da cama

2 fev 2026 13:43

João e Diana viveram momentos que dificilmente vão esquecer durante a passagem da depressão Kristin pelo centro de Leiria

foi-panico-mesmo-o-telhado-levantou-e-eles-protegeram-se-debaixo-da-cama
O forro da cobertura cedeu e neste momento há zonas da habitação a céu aberto
Ricardo Graça

Já têm onde morar, mas o medo que experienciaram na madrugada de quarta-feira, em Leiria, numa casa em que agora chove como na rua, continua em carne viva.

“Horrível. Viemos a esta janela, aquele poste de alta tensão estava a varejar. Foi pânico, mesmo”.

A passagem da depressão Kristin pelo centro da cidade arrancou o telhado de chapa metálica, que levantou parcialmente – para se protegerem, João e Diana mantiveram-se no quarto e só saíram à rua quando o vento parou, ao fim de mais de uma hora.

“Debaixo da cama. Estivemos sempre ali”.

Entretanto, o forro da cobertura começou a ceder e neste momento há zonas da habitação, muito antiga, arrendada, que se encontram a céu aberto.

João e Diana ficaram temporariamente realojados com família e já sabem que vão seguir em frente noutro lar, no entanto, mais difícil é deixar para trás o trauma do pior temporal de que há memória em Leiria.

“Foi complicado e vai ser difícil de passar”. Os prejuízos incluem infiltrações numa loja e carros com vidros partidos e a pintura danificada. Como acontece um pouco por todo o concelho, também os familiares mais próximos têm danos a lamentar, provocados pela depressão Kristin.

Em Leiria, os serviços de acção social do Município têm recebido e solucionado casos em que há necessidade de realojamento. Na freguesia da Barreira, a Câmara tem a funcionar um centro de acolhimento para pessoas que estão temporariamente sem tecto.