Sociedade

Fez 1.700 quilómetros para vir ajudar familiares e vizinhos

1 fev 2026 18:23

"Tinha de fazer alguma coisa", diz David Ferreira dos Santos, emigrante em França, que veio ajudar população de Espite, no concelho de Ourém

fez-1700-quilometros-para-vir-ajudar-familiares-e-vizinhos1
Maria Anabela Silva

Foram horas de ansiedade até David Ferreira dos Santos, emigrante em França, saber que a mãe, de 78 anos e a viver sozinha, estava bem.

A notícia chegou-lhe através de uma vizinha da mãe, residente em Espite, no concelho de Ourém, que conseguiu ligar-lhe para Paris.

Foi também por essa via que soube que as casas - a sua, a da mãe e dos sogros - sofreram danos, sobretudo, nos telhados. Entretanto, pela televisão francesa viu as primeiras imagens da destruição, que lhe causaram "choque". Sentiu que "tinha de fazer alguma coisa".

Carregou a carrinha com um gerador, uma escada própria para andar em telhados, alguma madeiral lonas e ferramentas. E pôs-se ao caminho.

Conduziu, quase sem parar, durante 17 horas. Foram mais de 1.700 quilómetros entre Paris e Espite, onde chegou na madrugada de sexta-feira. A ele, juntou-se o filho, Adrian dos Santos, que veio de Ayamonte, no sul de Espanha, também para "ajudar no que for preciso".

Só nessa manhã, viram “com os próprios olhos” o rasto de destruição que a depressão Kristin deixou na região. “Parece que foi Puttin que largou aqui uma bomba”, diz David Ferreira, de 60 anos, que vive em França, para onde os pais emigraram ainda na década de 50 do século passado.

Na sua casa em Espite, encontrou cerca de "cinco centímetros de água" que entrou pelos buracos deixados pelas telhas que voaram.

Já a habitação da mãe, ficou com "um buraco enorme no telhado”.

“A casa do meu cunhado, com quase 80 anos, também sofreu estragos e na dos meus sogros igual. Na aldeia [Espite] não há casa que tenha escapado”, constata David dos Santos.