Sociedade

Drones de Leiria vigiam a floresta 24 horas por dia

31 jul 2026 12:30

Investigadores da Universidade de Leiria e Oeste criaram um sistema de drones que vigia a floresta 24 horas por dia. A GNR quer usá-lo na detecção de fogos

Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Fotografia: Universidade de Leiria e Oeste
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Fotografia: Universidade de Leiria e Oeste
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Fotografia: Universidade de Leiria e Oeste
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Dispositivos de aéreos permitem observação directa do terreno 24 horas por dia
Fotografia: Universidade de Leiria e Oeste

O maior obstáculo do sistema de vigilância florestal desenvolvido em Leiria era, até agora, o mais banal, isto é, a duração da bateria.

Quando o protótipo foi demonstrado na Lagoa da Ervedeira, em Junho do ano passado, os aparelhos utilizados tinham apenas 15 minutos de autonomia, limitação que o próprio investigador responsável apontou ao JORNAL DE LEIRIA como condição a resolver antes de qualquer aplicação no terreno. 

Foi esse travão que a nova fase da investigação levantou.

Os investigadores do CIIC - Centro de Investigação em Informática e Comunicações, da Universidade de Leiria e Oeste, antigo Politécnico de Leiria, anunciaram, em nota, que criaram um sistema autónomo capaz de vigiar áreas florestais 24 horas por dia, sete dias por semana.

A chave está numa doca inteligente que assegura a aterragem, o carregamento das baterias e uma nova descolagem de forma automática. Assim, enquanto um drone sobrevoa a área, o outro permanece a recarregar, garantindo monitorização contínua sem interrupções.

Leia mais: Inteligência artificial, modelos gémeos digitais e drones unidos na detecção de incêndios

O que muda face ao protótipo?

A tecnologia continuou a evoluir mais de um ano depois de terminado o financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), à conta de novos equipamentos, entre os quais drones de última geração.

Segundo a comunicação da Universidade de Leiria e Oeste, o sistema passou a operar de forma totalmente autónoma, o que representa um salto face ao aparelho apresentado em Junho de 2025.

“Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do trabalho seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu”, afirma António Pereira, professor catedrático e investigador responsável.

O interesse das entidades com quem a equipa trabalhou desde o início, sublinha, em particular o do Comando Territorial de Leiria da GNR, levou os investigadores a aproximar a tecnologia das necessidades reais das autoridades.

JORNAL DE LEIRIA

Newsletter Primeira Página

Fique a par do essencial

Subscrever

A colaboração com o Comando Territorial de Leiria tem permitido validar funcionalidades e introduzir melhorias que respondem às exigências operacionais da vigilância e da prevenção de incêndios rurais.

A intenção declarada é a de que a plataforma venha a ser usada no terreno pelos serviços competentes.

"Num território particularmente sensível ao risco de incêndio, soluções que permitam reforçar a vigilância permanente e a detecção precoce representam uma mais-valia"
Paulo Sousa, chefe da Secção do SEPNA do Comando Territorial de Leiria da GNR

Paulo Sousa, chefe da Secção do SEPNA do Comando Territorial de Leiria da GNR, revela que a Guarda acompanha o trabalho desde o início e espera que, reunidas as condições necessárias, o sistema possa vir a integrar os instrumentos de apoio à missão da corporação, complementando os meios actualmente disponíveis.

Como funciona a vigilância

A plataforma combina drones autónomos, inteligência artificial e gémeos digitais, as réplicas virtuais do território que permitem simular o comportamento do fogo, para vigiar as áreas de maior risco, recolhendo e analisando informação em tempo real.

Dessa monitorização contínua resulta a identificação de potenciais focos de ignição e o envio às autoridades de informação de apoio à decisão.

Nesta fase, a equipa quer consolidar a robustez da plataforma e aperfeiçoar várias componentes, com destaque para a interface de visualização e apoio à decisão, prosseguindo a validação operacional com a GNR até estarem reunidas as condições para a passagem ao terreno.

A iniciativa DBoidS - Sistema de Gémeos Digitais e Boids para a Prevenção de Fogos arrancou em Janeiro de 2022 e terminou a 30 de Junho de 2025, com um orçamento de 223.509 euros financiado pela FCT e em parceria com o INESC TEC.

Na demonstração final, perante a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, a GNR, a Polícia Judiciária, a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e a Câmara Municipal de Leiria, um dos drones seguiu um veículo suspeito e outro identificou o calor e o fumo de uma fogueira acesa para o ensaio.

A nota da ULO não menciona o custo dos novos equipamentos ou se já há data para ensaios no terreno com a GNR.