DEPRESSÃO KRISTIN

Bombeiros Voluntários de Leiria denunciam falta de apoio do Estado para reconstruir quartéis

30 jul 2026 11:00

"Disseram-nos que ficássemos descansados, que rapidamente íamos ter apoio. Até hoje"

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Bombeiros Voluntários de Leiria já deram início às obras, apesar de ainda faltar verba
Ricardo Graça
Inês Gonçalves Mendes

José Almeida Lopes, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria, denunciou a falta de apoios do Estado para a reconstrução dos quartéis, que viram as suas instalações a ceder perante os ventos da Kristin.

Durante a visita do executivo municipal a alguns dos locais afectados pela tempestade, que assinalou os seis meses da intempérie, Almeida Lopes mostrava as obras já a decorrer no quartel de Leiria, erguidas “com o apoio e solidariedade dos portugueses, tanto a nível nacional como internacional”.

“Tivemos algumas empresas que comparticiparam e a Fundação Galp que, para este quartel, deu 650 mil euros, e para Monte Redondo deu 300 mil. Estamos ainda aflitos a ver de onde poderão vir os 800 mil que faltam”, relata o dirigente, ao referir que não receberam qualquer apoio estatal, seis meses também após a visita do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e da então ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.

“Disseram-nos que ficássemos descansados, que rapidamente íamos ter apoio. Até hoje”.

Leia também: Passaram seis meses da tempestade Kristin. O que mudou?

A candidatura ao apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro continua sem resposta e, da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, que tutela os bombeiros, “nada”.

A obra nos Voluntários de Leiria custará cerca de 1 milhão de euros, com a de Monte Redondo a somar outros 1,1 milhões. Além de restabelecer o que voou, a corporação está a reforçar valências para “dar melhores condições aos bombeiros, nomeadamente condições sanitárias e de descanso”, afirma o presidente da associação.

A empreitada vai tornar o quartel mais resiliente para “aguentar outro tipo de ventos” e evitar consequências como as de 28 de Janeiro, onde “quase a totalidade das viaturas” ficaram inoperacionais.

“No dia 28 de manhã, começámos logo a construção. Tínhamos aqui um camião com uma grua e começámos a limpar porque, se não, teríamos de fechar o quartel. Não parámos um minuto o socorro às populações”, revela.

A estrutura metálica instalada na cobertura, detalha, está preparada para oscilar e responder a ventos fortes. “Da forma como a montagem está feita, dificilmente há rutura”, afiança.