Sociedade

Avança restauro do avião que não precisou de pista para aterrar no coração de Leiria

3 abr 2026 12:00

O Beechcraft C-45 Expeditor, que há décadas empresta o nome ao popular “parque do avião” em Leiria, iniciou na semana passada a sua jornada de recuperação.

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Responsáveis da Cariano, Museu do Ar e autarquia visitaram o avião na semana passada
Fotografia: JSD
Jacinto Silva Duro

O Beechcraft C-45 Expeditor, que há décadas empresta o nome ao popular “parque do avião” em Leiria, iniciou na semana passada a sua jornada de recuperação.

Após ter sido danificada pela queda de árvores durante a tempestade Kristin, a aeronave será alvo de uma intervenção profunda para devolver à cidade um dos seus símbolos. Segundo Fábio Cariano, promotor do esforço de restauro e administrador da empresa responsável pela logística, o primeiro passo será retirar as asas e a cauda, para facilitar o transporte para o Espaço Xarlie, onde decorrerão os trabalhos.

Uma coisa é certa, o restauro, devido à idade e ausência de técnicos especializados nesta aeronave vai “demorar bastante tempo”.

O coronel Carlos Mouta Raposo, director do Museu do Ar, que, na semana passada fez uma visita ao avião, concorda que se trata de um processo “minucioso e longo”, já que o trabalho em alumínio para aviação é descrito como “complexo”, exigindo um olhar “atento e calmo”.

Durante todo o restauro, será mantido um “diário de bordo”, para documentar materiais, tintas e intervenções, garantindo o rigor histórico e a prevenção de problemas futuros, como a corrosão.

A recuperação do Beechcraft, avião de fabrico canadiano doado à cidade pela Base Aérea N.º 5, de Monte Real, em 1977, conta com uma rede de solidariedade e competência técnica.

A empresa MS Cariano, de Leiria, lidera o esforço, contando com o apoio do Museu do Ar, que fornece, segundo o director da instituição, “conhecimento e os manuais” e, no que toca ao financiamento, o modelo baseia-se na colaboração.

Fábio Cariano refere que a estratégia passa por pedir ajuda à “comunidade”, mais especificamente a empresas que trabalham com a Cariano, para dar o incentivo necessário à iniciativa.

No cerne da vontade de recuperar o avião do parque, está o sentimento de que ele se trata de muito mais do que “uma peça de museu estática”.

O vereador Carlos Palheira destaca que existe uma “identidade própria e de ligação sentimental entre a cidade e este elemento,” potenciada pela proximidade histórica de Leiria com a Base Aérea N.º 5.

“Muitas crianças brincaram à sua sombra desde sempre”, recorda o autarca, sublinhando que o simbolismo é tão forte que o nome oficial do espaço – Parque Tenente-Coronel Jaime Filipe da Fonseca - é ignorado em favor de “parque do avião”.

Por isso, concluída a reconstrução, o destino do Beechcraft está traçado.

“A nossa intenção é repô-lo no sítio onde estava anteriormente”, garante Palheira.

Número

2

Do modelo C-45 Expeditor, bimotor usado para reconhecimento e transporte, durante a Guerra Colonial, retirado de serviço em 1973, existem em Portugal, apenas dois exemplares, em Leiria e no Museu do Ar