Sociedade
Avança restauro do avião que não precisou de pista para aterrar no coração de Leiria
O Beechcraft C-45 Expeditor, que há décadas empresta o nome ao popular “parque do avião” em Leiria, iniciou na semana passada a sua jornada de recuperação.
O Beechcraft C-45 Expeditor, que há décadas empresta o nome ao popular “parque do avião” em Leiria, iniciou na semana passada a sua jornada de recuperação.
Após ter sido danificada pela queda de árvores durante a tempestade Kristin, a aeronave será alvo de uma intervenção profunda para devolver à cidade um dos seus símbolos. Segundo Fábio Cariano, promotor do esforço de restauro e administrador da empresa responsável pela logística, o primeiro passo será retirar as asas e a cauda, para facilitar o transporte para o Espaço Xarlie, onde decorrerão os trabalhos.
Uma coisa é certa, o restauro, devido à idade e ausência de técnicos especializados nesta aeronave vai “demorar bastante tempo”.
O coronel Carlos Mouta Raposo, director do Museu do Ar, que, na semana passada fez uma visita ao avião, concorda que se trata de um processo “minucioso e longo”, já que o trabalho em alumínio para aviação é descrito como “complexo”, exigindo um olhar “atento e calmo”.
Durante todo o restauro, será mantido um “diário de bordo”, para documentar materiais, tintas e intervenções, garantindo o rigor histórico e a prevenção de problemas futuros, como a corrosão.
A recuperação do Beechcraft, avião de fabrico canadiano doado à cidade pela Base Aérea N.º 5, de Monte Real, em 1977, conta com uma rede de solidariedade e competência técnica.
A empresa MS Cariano, de Leiria, lidera o esforço, contando com o apoio do Museu do Ar, que fornece, segundo o director da instituição, “conhecimento e os manuais” e, no que toca ao financiamento, o modelo baseia-se na colaboração.
Fábio Cariano refere que a estratégia passa por pedir ajuda à “comunidade”, mais especificamente a empresas que trabalham com a Cariano, para dar o incentivo necessário à iniciativa.
No cerne da vontade de recuperar o avião do parque, está o sentimento de que ele se trata de muito mais do que “uma peça de museu estática”.
O vereador Carlos Palheira destaca que existe uma “identidade própria e de ligação sentimental entre a cidade e este elemento,” potenciada pela proximidade histórica de Leiria com a Base Aérea N.º 5.
“Muitas crianças brincaram à sua sombra desde sempre”, recorda o autarca, sublinhando que o simbolismo é tão forte que o nome oficial do espaço – Parque Tenente-Coronel Jaime Filipe da Fonseca - é ignorado em favor de “parque do avião”.
Por isso, concluída a reconstrução, o destino do Beechcraft está traçado.
“A nossa intenção é repô-lo no sítio onde estava anteriormente”, garante Palheira.