Viver

Amplify: os bebés também podem ser compositores

10 set 2026 10:00

Em Leiria, bebés entre os zero e os 36 meses estão a participar numa experiência que cruza música, inteligência artificial e realidade virtual para transformar movimentos e reacções em criação musical

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Os três dias de actividades na Musicalmente representam um momento decisivo
Ricardo Graça

Olhares atentos seguem o brilho dos instrumentos. Um bebé balança-se ao som da música, mexe as mãos, olha para os músicos. Não sabe que está a compor. Não sabe sequer que os seus movimentos estão a ser transformados em música. Na sua perna, um sensor fisiológico recolhe informação que chega aos artistas sob a forma de notação musical, através de óculos de realidade virtual. Para quem assiste, é difícil perceber que, entre o movimento do bebé e o som dos músicos, há uma cadeia tecnológica a acontecer em tempo real. É esta a experiência que a Musicalmente está a testar em Leiria no âmbito do Amplify, um projecto europeu que procura desenvolver tecnologia capaz de permitir que bebés entre os zero e os 36 meses participem como co-autores de uma obra musical.

Durante os laboratórios realizados no passado fim de semana, bebés e famílias foram parte activa de um sistema ainda em construção. As pequenas mãos dos bebés manipularam instrumentos de madeira, concebidos para enviar informação para o sistema através de um fato sensorial, usado por um dos artistas. Os bebés brincaram, mexeram-se, olharam, ouviram. Os sensores e câmaras recolheram os seus sinais e os dos adultos que os acompanhavam.

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