Entrevista

Marta Fernandes: “Somos um país de cantores e Leiria é a cidade da música!”

29 mai 2021 19:38

A actriz fala dos seus projectos e do seu trabalho com crianças e da importância da cultura e das artes na formação da identidade. Avisa que está na hora de as entidades públicas olharem seriamente e darem respostas à classe artística

Marta Fernandes abriu, há anos, a escola de teatro e dança M Studio, em Leiria
Ricardo Graça
Jacinto Silva Duro

O que tem feito a Marta Fernandes nos últimos tempos?
Continuo a dar aulas de teatro musical, representação e de canto, que mantenho, no M Studio, em Leiria. O último ano foi conturbado, porque passámos muito tempo a fazer aulas à distância. Mesmo assim até ganhámos dois novos alunos. Além disso, estou também a finalizar muitos projectos que tinha começado e que se foram arrastando. Um deles, um musical que estou a fazer com os alunos das escolas dos 5.º e 6.º anos das escolas de Oeiras, tem data de estreia no dia 13 de Junho, no auditório Ruy de Carvalho. É uma iniciativa do Oeiras Valley, produzido por uma produtora de Leiria, a Crianças ao Palco, que me contactou para fazer esta produção. Escrevi o texto e faço a encenação. Eles, o Paulo Sanches e o Sérgio, ficam com a parte musicada do espectáculo. Também entrei de cabeça no projecto Mulheres Nascidas de um Nome, de teatro online, produzido por uma produtora brasileira, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro. Somos 28 mulheres de 11 países diferentes. Já tivemos seis apresentações em directo, pelo Youtube. Envolvi-me muito, porque é uma iniciativa artisticamente muito interessante, pois é muito fora do vulgar e, a nível pessoal, foi muito importante, já que aconteceu quando estávamos todos em casa e soube muito bem, estar activa, embora dentro do lar. Gostei tanto que avançámos com outro espectáculo que deverei estrear no final de Junho e que se chama O Misterioso Desaparecimento de W. É também um monólogo que partilharei com mais três actrizes. Duas no Brasil e uma em Madrid. Também será online. Ainda nesse formato, estou a fazer adaptações de contos e textos dramáticos. Chama-se Contos Contados. Fazemos dois contos por mês em vídeos de 25 minutos, com adaptações cénicas de grandes textos. Ontem, filmámos o Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, e temos outros de autores, de épocas e de linguagens relacionadiferentes. Podem ser vistos no Youtube da Paula Luiz. Para esse canal, tenho ainda outro projecto, o Notas em Dó e Ré, que é um encontro musical com compositores e autores nacionais, que tocam instrumentos menos comuns, como a harpa ou o acordeão. Eu e a Paula fazemos a apresentação do trabalho desses autores. Eu canto, dizemos poesia... é um encontro musical.

A música é uma constante na sua vida.
Estou sempre a fazer coisas que a envolvam. Em Março, desconfinámos a peça Enfim, Nós, a pedido da Câmara de Constância, que quis celebrar o Dia Mundial do Teatro e oferecê- la à população através das suas redes sociais. No dia em que a peça foi transmitida, eu estava, em simultâneo, online, em directo com as Mulheres Nascidas de Um Nome. Desde que começámos os confinamentos que tenho trabalhado ainda mais.

"Acabei por me 'reinventar'. É um verbo que me enervava, quando ouvia dizer que "é preciso reinventarmonos"... aquilo dava-me uma comichão! Nós, os actores, passamos a vida toda a reinventar-nos"
Marta Fernandes

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Sim, fiz uma para o Lidl e continuo a fazer muitas locuções, sou locutora há muitos anos e continuo com essa actividade. Deu para trabalhar a partir de casa. Preparei um estúdio dentro de um roupeiro, com um colchão atrás de mim. Acabei por me “reinventar”. É um verbo que me enervava, quando ouvia dizer que "é preciso reinventarmo- nos"... aquilo dava-me uma comichão! Nós, os actores, passamos a vida toda a reinventar-nos! Mas a verdade é que, no processo de encontrar soluções para me manter activa e ganhar algum rendimento, acabei por me “reinventar” sem intenção de o fazer. O mercado de trabalho alterou muito. O digital passou, definitivamente, a fazer parte do universo da cultura e da arte. Resistimos muito, inicialmente, pois parecia-nos impossível fazer teatro à distância, porque é uma arte de emoções, de contacto e de sensações, porém, acabámos por descobrir coisas muito interessantes nesse trabalho. Os meus alunos, por exemplo, nas aulas online, mostraram-me coisas que jamais tinha visto nas aulas presenciais. O facto de estarem em casa, à vontade, descontraídos e de terem a semana toda, para, ao seu ritmo, fazerem o trabalho, permitiu-lhes criar coisas extraordinárias. Este c

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