Entrevista

Entrevista | Jorge Silva: "ensino profissional não é um ensino redutor"

18 mai 2018 00:00

Director da Escola Tecnológica, Artística e Profissional de Pombal (ETAP) diz que o estigma associado a este tipo de ensino está a “esbater-se”

Maria Anabela Silva

O número de alunos no ensino profissional em Portugal tem aumentado significativamente. A que se deve esse crescimento?
Uma das principais razões prende- se com o facto de as escolas públicas passarem a ter ensino profissional. Mas, apesar do aumento, ainda não atingimos o desígnio do Ministério da Educação de ter 50% dos alunos no ensino profissional. Andamos ainda pelos 42%. A nova meta apontada pela tutela é de 55%. Esta pressão do Ministério da Educação para haver mais alunos neste ensino reflecte as necessidades do mercado de trabalho e das empresas. É absolutamente crucial dar resposta a essa necessidade. O ensino profissional é absolutamente estratégico para a diferenciação e competitividade das empresas.

Está ultrapassada a imagem que associava o ensino profissional a alunos com maiores dificuldades de aprendizagem?
Essa imagem está a esbater-se. Hoje, o ensino profissional já é visto como uma excelente porta de entrada dos alunos no mercado de trabalho e encarado por muitos como uma estratégia para ingressar no ensino superior.

Na ETAP, qual é a percentagem de alunos que continua os estudos após a conclusão do ensino profissional?
Em quase todos os cursos temos percentagens superiores a 20%, sendo que no de Técnico Auxiliar de Saúde essa percentagem chega quase aos 50%. Isso acontece por se tratar de um ensino muito prático, o que torna a aprendizagem mais estimulante.

Os cursos profissionais, pelo menos, os mais técnicos, tornaram-se tão exigentes como o ensino regular. Por que razão alunos com uma prestação menos boa ainda continuam a ser encaminhados para o profissional?
Prefiro não ver as coisas dessa forma, porque ao fazê-lo estamos a olhar para o ensino profissional como um ensino redutor, que não o é. Seria importante que as escolas e as famílias permitissem aos alunos conhecerem as múltiplas opções que têm à saída do 9.º ano, para que possam decidir da forma mais informada e correcta possível. Muitas vezes, os alunos são privados de conhecer o que se passa nas escolas em redor da sua. Isso é um factor limitativo para o ensino profissional, mas, acima de tudo, é limitativo para as empresas e para as necessidades do mercado de trabalho.

Os pais ainda mostram reservas quando os filhos dizem que querem seguir o ensino profissional?
As coisas vão mudando. Durante o período datroika, as famílias perceberam que, havendo um desemprego muito elevado, com taxas que ultrapassaram os 30% entre os jovens, os alunos que saíam do ensino profissional, de uma forma geral, tinham emprego. Isto ajudou a que as pessoas começassem a perceber a extrema utilidade que constitui este tipo de ensino.

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