Entrevista

António Coutinho: "Choca-me muito que as universidades não possam escolher os seus estudantes"

6 fev 2020 11:43

Para o imunologista, que dedicou a vida à investigação, o modelo de funcionamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia é “entrave terrível” ao desenvolvimento da ciência no País.

Maria Anabela Silva

Dedicou a vida ao estudo das doenças auto-imunes, patologias que afectam cerca de 10% da população mundial, com tendência para aumentar. O que está a levar o nosso sistema imunitário a virar-se contra nós?

Não há prova definitiva sobre o assunto, mas há indicações muito fortes relacionadas com a teoria da higiene. À medida que fomos ficando mais limpos, deixámos de usar o sistema imune para nos defender contra as infecções. Em situação normal, o sistema tem a maior parte das suas células em repouso, porque não são precisas. Mas estão lá. O sistema reconhece o nosso próprio corpo, sabe que é nosso e, por isso, não o ataca. Tem mecanismos de protecção. Quando deixa de ser estimulado, esses mecanismos diminuem e, ao decresceram, a incidência de doenças auto-imunes cresce. A tolerância do sistema auto- -imune ao nosso próprio corpo é activa, dominante. Basta que haja umas quantas células que digam 'isto é nosso, não se ataca', que o sistema passa a actuar correctamente. Se deixarmos de estimular o sistema, essas células deixam de funcionar.

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