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Opinião

Raquel Martins Voltar

18:22 - 05 Setembro 2019
A hipérbole do dia-a-dia

A hipérbole do dia-a-dia

Andava eu aqui tão entretida com o sentido da vida em geral e o da minha, em particular, quando me vi obrigada a interromper as minhas dúvidas existenciais para tratar de temas um tanto ou quanto mais pragmáticos.

Ando para aqui a decidir se devia saber as coisas da vida ou se, pelo contrário, o truque é enveredar em consciência pela sábia ignorância das coisas. Entre um prudente enrugado e um pateta alegre, inclino-me fortemente a decidir de vez a minha existência pela segunda hipótese.

Não será em vão que a expressão existe. Andava eu aqui tão entretida com o sentido da vida em geral e o da minha, em particular, quando me vi obrigada a interromper as minhas dúvidas existenciais para tratar de temas um tanto ou quanto mais pragmáticos. Mais urgentes, vá.

Como é que o dilema me acontece? Passo a explicar: Carro na oficina. Obras em casa. E diz o mecânico: “Ainda bem que aqui veio. Arriscava-se a ficar sem motor aí no meio da estrada.” E diz o electricista: “Ainda bem que aqui vim. Estava sujeita a ficar aqui agarrada ou a um curto-circuito que lhe queimava a casa toda.”

Poupo-vos aos pormenores. Mas estive para ficar sem tecto e foi por um triz que o canalizador evitou uma inundação capaz de aniquilar a cidade inteira, qual Atlântida da província. Como a Mark Twain, também a mim me pareceram manifestamente exageradas as notícias sobre a minha morte anunciada.  

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